domingo, 11 de dezembro de 2011

O livro de capa azul


O gato ronrona encantado pelo vento que traz boas notícias sobre o livro de capa azul. As flores continuam brotando das paredes que encerram todas as dúvidas do mundo enlatado com um sincero “tanto faz” cantarolado lentamente. O mundo enlatado é degustado em pratos de sobremesa após o fondue ser servido na mesa com castiçais de vela.

A realidade invade as frestas vedadas de sonhos incansáveis que retornam noite após noite nas seletivas festas quinzenais apenas para convidadas. As convidadas selecionadas estranham a insistente mania do gato em se isolar em esconderijos previamente inacessíveis. Quando o pavê com cobertura de brigadeiro é oferecido com café o gato imprevisível desce repentinamente as escadas para pesquisar os aromas.


A dieta constantemente saudável da babuska branca e dourada a impede de comer doces caseiros ou enlatados industrializados – então ela saboreia calmamente o salmão ao molho de maracujá e o atum com molho levemente picante reservados para quem se delicia com comida japonesa ou com beijos mais doces que o pavê caseiro com cobertura de brigadeiro. O gato se esconde no armário do quarto da babuska branca e dourada e desaparece da vista das convidadas dela.


A madrugada chega e a festa continua enquanto o gato derruba propositalmente alguns livros empilhados na prateleira sobre a cama caçando o indiscutível silêncio do livro de capa azul.


Liz Christine

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Fragmentos


O concerto das notas florais tocando a insensatez das músicas detalhistas. A concentração temporária em cada fragmento – detalhes emergindo da completa satisfação das particularidades íntimas. A intimidade circunstacial se aprofundando a cada estágio ou a cada mutação das peculiaridades sonorizadas – saboreando as transformações sussurradas lentamente nos sonhos desconexos.

As singularidades passageiras não modificam a essência pausterizada da doçura absoluta. O amor em estado puro miando na janela com tela recorda os sonhos desconexos ultrapassados pela plenitude dos últimos minutos da madrugada – e o amanhecer chega aos poucos trazendo rosas brancas com espinhos previamente retirados.


As unhas afiadas da gata arranham inconscientemente a insensatez das músicas detalhistas – sem noção dos efeitos posteriores do inconsciente libertário sobre as vagas sensações em estado puro aprimoradas diariamente no silêncio das cortinas.


A inocência dos estágios alternados de consciência – a compreensão sensorial fragmentada ou absoluta delineando as mais doces sensações de satisfação particular. Os prazeres irrepreensíveis degustados vagarosamente nas notas florais do inconsciente libertário redesenham o cotidiano tão vasto quanto os paralelos da imaginação felina.


Liz Christine

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O doce romance


As libélulas encarregadas de amenizar a distorção de valores.

Apenas uma sombra cruza os caminhos invertidos da combinação entre o café e o sorvete de creme light – a sombra das inocências desiludidas beijando o ceticismo incoerente das verdades dúbias.


Nenhuma crença derrete o gelo das sinceras verdades dúbias se opondo aos paralelos da imaginação corrompida – a tristeza impregnante corrompe todas as despretensiosas ligações esquivas.


Os parvos elos de ligação com a realidade se repartem entre sonhos lúdicos e fantasias cegas – a mudez de sentimentos controlados pelo bom-senso das dissimuladas abstrações que escondem o doce romance entre as asas da mariposa e o instinto natural da gata.


Liz Christine

As babuskas omissas (ou a liberdade das borboletas flamejantes)


É difícil saber a verdadeira direção das perplexidades omissas. A introspecção se apodera dos instantes únicos de apuração de significados temperados com porções de faláfel e tahine puro – as madrugadas saboreadas com pequenas doses de gula parcelada. Os extremos desenfreados são manipulados pelo polvo adormecido que vive à espreita de novos deslizamentos passíveis de serem abstraídos pela sutil consciência das borboletas flamejantes. A suave liberdade se apodera da consciência ramificada das doces borboletas flamejantes – e o licor de café acalma a volubilidade sensorial dos instantes únicos em que o amor absoluto invade a imaginação das babuskas omissas. Oferecer as asas ao tempo precioso – e recolher a apuração de significados das caixas de morangos frescos. O ritmo insalubre das prisões temporárias não indispõe mais a imaginação das babuskas omissas – as prisões temporárias estão dentro dos limites impostos pelo medo. Ah, o medo inconsequente de libertar as borboletas flamejantes – o medo inquisidor de não compreender mais a apuração de significados. A maior preocupação é onde pousar após o vôo – jamais a precária compreensão que nunca atinge o absoluto. O estado de absoluto relaxamento vem acompanhado de generosas porções de amor compartilhado fora das convenções tradicionais – o amor tão absoluto e inquebrável quanto a imaginação das babuskas omissas ou a liberdade das borboletas flamejantes.

Liz Christine

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O amor impróprio


Um silêncio revestido de pequenas distrações peculiares. O vento assoprando recados que se apagam na areia. Pequenas distrações peculiares redesenham as formas já conhecidas de versos regravados na memória indefinida por antecipação. As respostas dúbias se antecipam às perguntas quietas pronunciadas sobre a cama onde se deitam as borboletas embriagadas pelas músicas saudosistas.

Os anos dourados da popularização do jazz redifinem as estratégias de consumo dos sonhos parcialmente ingênuos compartilhados no banheiro. Lavando o rosto tão cansado de indefinidas propostas carregadas pelo mar. As sereias acenam para a menina que foge do sol caminhando lentamente de mãos dadas com outra garota.


O amor impróprio é consumido a cada noite ao lado das xícaras de chá de baunilha e mel com um leve toque de camomila misturada ao silêncio de pequenas distrações peculiares. A gata sobe na janela com tela e observa a noite repartida entre sonhos ingênuos e contradições saboreadas em conjunto.


Liz Christine

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ella


Ella não quer mais o vazio irregular que preenche os raios solares – a poluição terrena inconsistente que persiste no ar contaminado. Palavras inconsistentes poluindo o silêncio de Ella – fragmentos escondidos dentro das ausências de Ella. A voz se refugia do vazio irregular que preenche os raios solares – a voz cantarolante de Ella guardada longe da observação constante de convidados sem permissão para invadir ou contemplar o silêncio de Ella. Todas as opiniões ou impressões subdivididas em seções desorganizadas são recolocadas na varanda sob a luz da lua – durante o auge da inquietação felina. Ella sobe correndo e miando as escadas que levam ao quarto dos brinquedos – as bonecas previamente arranháveis ou admiráveis esperando por Ella. Ella deita sobre o notebook procurando arquivos inexistentes enquanto sua dona faz café ouvindo música – e o tédio passageiro se desfaz entre as ronronantes carícias que Ella recebe no pescoço ou na barriga. O dia amanhece nublado e Ella procura as verdades ocultas de sua dona – os sonhos que ninguém mais, além de Ella, conseguiria decifrar ou ler na penumbra do quarto onde dormem juntas.

Liz Christine

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Despertar



As obsessões irredutíveis que se desmancham em uma colher de chá de açúcar light – a eterna cadência de princípios desvalorizados.

O despreparo sentimental mergulhando no mar intoxicado – a falta de estabilidade no equilíbrio das variáveis inclinações particulares.


O senso de humor concentrado no cacho de uvas sobre o prato de porcelana azul – e o quebra-nozes delineando a falta de prática recortada da inexperiência da borboleta.


O desejo primaveril transparece nas flores de Maio – o primeiro dia do crescente despertar de incoerências apaixonantes.


O inconsciente floresce no pedaço do paraíso que se dissolve na língua das borboletas atraentes – o movimento das asas atrai todos os olhares dissimulados.


A inexperiência camuflada sob a intensidade dos sonhos loucos – inclinações dissimuladas sob o silêncio constante das obsessões irredutíveis.


Duas sílfides se enroscam debaixo das cobertas – e a lua suspira em seu crescente despertar renovado a cada noite.


Liz Christine

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Luz de velas


Os sapatinhos vermelhos e a instigação felina – nos seios bem delineados se esconde toda a preciosidade do amor encoberto. A deliciosa sede das babuskas encobre parcialmente a perturbadora troca de palavras regada no jardim.

As flores perfumadas reeditam o tom das maleáveis quebras de sentido – os sentidos se transmutam em pausas inacessíveis. O amor inesgotável se desdobra em fases alternadas de contradições complementares – e não resta mais nenhuma certeza sólida para ser saboreada à francesa acompanhando os cálices de vinho do Porto.


O beijo do casal de namoradas iluminado pela luz das velas dissolve voluntariamente os transtornos de personalidade bipolar – e a música ecoa nos ouvidos felinos instigados pela movimentação dos sinos presos à estante de livros.


Liz Christine

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sereias


Um ritmo ininterrupto de carências satisfatórias – a gata se enroscando nas sombras da música.

Uma ausência perturbadora – as paredes comprimindo o descaso das sereias.


A repetição constante – os redemoinhos sugando a energia das estrelas.


O caramujo quer arrastar as árvores para a beira do lago. A gata branca observa o ritmo do banho da gata rajada. E o ritmo ininterrupto de carências satisfatórias move o mundo incessante da propaganga diária. O erotismo se escondeu em gaiolas douradas. As patas flutuam em barcos de brinquedo. E a ausência de sentido perecível emerge do fundo do lago. As proibições crescem nos galhos das árvores frutíferas. Os cavalos passeiam pelos estábulos. E a mudança se mostra diante dos espelhos. A vulgarização dos sentidos mais sutis e os esconderijos das sereias diante de tantos redemoinhos. A repetição constante no ritmo das mudanças incessantes que andam em círculos e se perdem no labirinto de gaiolas douradas. O cansaço e o descaso – as proibições e as repetições. As mudanças e os retrocessos – o ponto de partida e o retorno. O erotismo se escondeu em gaiolas douradas. E a gata se enrosca nas sombras da música enquanto as sereias ignoram o mundo incessante da propaganda diária. As sereias querem seduzir a lua enquanto o ritmo ininterrupto de carências satisfatórias escolhe o sapato mais bonito da loja. E a solidão reina na opressão das paredes enquanto as sereias se beijam dentro do mar.


Liz Christine

domingo, 9 de outubro de 2011

Realidades compartilhadas


O mar exalando aroma de framboesas frescas – a maresia dorme no parapeito das janelas. A letra da música virada do avesso e as xícaras transbordando inércias virtuais. Os amores dos séculos já ultrapassados acordam a instabilidade da maresia – a letra da música virada do avesso informa a ilusória satisfação das fantasias mais inocentes.

O mar exalando aroma de framboesas frescas – a maresia sonha acordada dentro do chuveiro. As ilusórias alegrias momentâneas se refazem na colher cheia de doce-de-leite. Os prazeres reais e inocentes se redesenham indefinidamente nos sonhos tecidos por aromas agradáveis aos sentidos ilimitados.


O gato mais doce do mundo ronrona ao ser acarinhado e suspira como um anjo ao dormir suavemente. O gato mais doce do mundo acompanha o movimento da coleção de borboletas beijando as flores. Os amores dos séculos já ultrapassados flutuam nos aromas que invadem as flores crescendo livremente ao redor de silêncios compartilhados.


Um casal de mulheres se beija dentro do quarto lilás. A simetria da letra da música define o sabor da realidade absorvida pelos sentidos ilimitados. Os sonhos praticados dentro do quarto lilás são sussurrados em poemas musicados. O aroma de J’adore se espalha no vento que suaviza a instabilidade da maresia – e o amor já ultrapassado retorna na simetria das realidades compartilhadas.


Liz Christine

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A liberdade dos sentidos impressionáveis


A permissividade dissonante das cabrinhas destoa do quadro de equilíbrios emocionais parcelados mensalmente. O leite desnatado pingado no café bem forte contorna os presságios delineados no tempo instável. As mudanças climáticas transtornam a sede dos golfinhos sociáveis. A sociabilidade fugitiva das gatas insones acorda os afetos espalhados sobre o chão. E a música envolve todos os instantes de pura impressão incompreendida. As primeiras impressões desenvolvem aromas parcialmente familiares e doces. Enquanto o rio corre quieto, a colônia de sapos racionais reinventa distrações pausadamente obscuras. E o equilíbrio emocional das sensações impressionáveis expõe os principais postos de troca de singularidades parceladas mensalmente. A falta de bom senso das sensibilidades embaralhadas disfarça a maresia se apoderando das cenas corriqueiras que se repetem a cada despertar. A coelhinha rói a racionalidade dos sapos durante as refeições enquanto a permissividade dissonante das cabrinhas tempera o harumaki que será degustado às quatro horas da manhã. E a caixinha de música gira no ritmo das sensações impressionáveis a serem desembaralhadas durante o despertar dos sonhos embrulhados para presente. Presenteando sentidos super-concentrados com aromas envolventes e perfumes da Dior. O sotaque francês do embrulho de presente acorda toda a variedade de informações desencontradas. E a essência dos versos acalorados que amenizam a temperatura do inverno rigoroso saboreia a doce compreensão dos afetos recíprocos. A luz azulada que ilumina o banheiro destila a suavidade dos abraços aconchegantes enquanto as gatas apuram a audição durante o concerto das torneiras. Conserte as imprudências do rio que corre quieto e descanse das obrigações diárias durante um banho de imersão em músicas atemporais – e saboreie a permissividade dissonante dos sonhos inocentes embrulhados para presente e envolvidos em perfumes e aromas que flutuam durante a doce entrega das borboletas à liberdade dos sentidos impressionáveis.

Liz Christine

sábado, 1 de outubro de 2011

Aurora boreal


A graciosidade refletida nas cores da aurora boreal transparece na madrugada. Diga adeus à insanidade que movimenta as asas do anjo tão inquieto e presente durante as refeições diárias. Toda a sorte desperdiçada das paixões completas e abandonadas acena ao longe. Tão distante e plena é a satisfação de quase todos os devaneios embalados por ondas suaves porém intensas. Alcançando a satisfação tão distante e tão real quanto a ausência voluntária de palavras excedentes. Apenas o essencial flutua na voz que embala sonhos praticados durante a madrugada. Praticar sonhos e respirar a graciosidade refletida nas cores da aurora boreal enquanto a insanidade movimenta as asas do anjo. Diga adeus aos problemas enquanto o dia não amanhece. Toda a sorte das paixões completas e abandonadas acena ao longe enquanto o gato cor de doce-de-leite sonha com borboletas. Praticar sonhos e viver em desacordo com a racionalidade das noites frias. Praticar devaneios embalados por ondas intensas e acarinhar a gata branca que vive nas nuvens do teto. O gato preto que tem nome de anjo seguindo a trilha de catnip reencontra a satisfação tão distante e tão plena das ondas retidas pela música que invade a madrugada. A música feita de sonhos praticados e enfeitada pelos efeitos harmoniosos das paixões desperdiçadas que retornam em formato de plenitudes desavisadas.

Liz Christine

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Amores surrealistas


Os desdobramentos da cerejeira danificada e a assombração rondando o jardim intimista dos bichanos introspectivos que farejam o aroma de ervas finas vindo da despensa. O silêncio alquebrado após o descuido torrencial de aparências aromáticas – descuidos passageiros de frases recheadas com salmão ring e distúrbios alheios ao movimento das cachoeiras isoladas da real intenção das temperaturas adoçadas. Os amores surrealistas se desenham na penumbra ao sabor volúvel da movimentação das cachoeiras emergindo do silêncio alquebrado após a chuva dos peixes da sorte com mensagens de felicitações escritas nos olhos arregalados. Os olhos dizem mais do que mil palavras desenhadas na pele branca das meninas desajustadas que sonham com o improvável dia em que todas as liberdades respeitarão cada individualidade ilimitada que circula pelo mundo insano das palavras trocadas através do tato. A menina desajustada ainda sonha com o retorno da fada lilás e seus beijos com sabor de geléia de damasco enquanto se refresca na cachoeira isolada da real aparência aromática das cerejeiras danificadas – e os bichanos ronronam farejando a proximidade crescente dos amores surrealistas.

Liz Christine

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Liberdades oníricas


As lágrimas ressecaram as utopias desoladas. A tristeza se instalou de vez na cama aposentada. Uma súbita sintonia entre miados sincronizados com o vento que arrasta as folhas caídas das árvores muda a direção dos olhares desinteressados. O desinteresse generalizado veste a máscara da cordialidade voluntariosa. Todo o desapego espalhado sobre a cama aposentada se ressente contra as ofensas diárias. Os miados entrelaçados convivem pacificamente sublimando as repetidas doses ofensivas de descaso socialmente assertivo. A liberdade onírica cresce solta nas folhas caídas das árvores enquanto as tristezas humanas se multiplicam nos jornais. A solidão dentro das multidões atinge qualquer sublimação das repetidas doses ofensivas de falsas cordialidades geladas e desprovidas de quaisquer poesia. A poesia se enrosca nas liberdades oníricas compartilhadas com a contraditória naturalidade dos corações de gelo parcialmente descompromissados com as mudanças climáticas.

Liz Christine

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Instantes utópicos


As comodidades surrealistas vestem as meias sete oitavos com renda. O movimento incessante das águas duvidosas contabiliza os minutos de tédio exibicionista. O prazer absoluto envolve os casais de babuskas namorando sob a luz da lua. A paz universal e utópica mora dentro de corações isolacionistas. O balé reorganiza os elos de ligação camuflados na estante de livros. A indiferença disfarça timidamente o amor sufocado em ondas de silêncio supremo. As palavras nunca reveladas circulam alheias ao isolamento descontente. O afastamento parcial e voluntário dos sentidos descontentes se dissolve gota a gota durante o banho noturno. As gatas descansam indiferentes ao confuso desenvolvimento de valores humanos onde os princípios são consumidos lenta e vagarosamente com o passar das estações. As gatas ronronam com o carinho intransigente que questiona cada silêncio ou desvio de intenções. O expresso com vinho do Porto é servido com um sorriso enigmático para o casal de babuskas sentadas no canto mais reservado enquanto os sentidos submersos nos elos de ligação camuflados refrescam a nítida maleabilidade dos instantes tão utópicos quanto o amor perfeito.

Liz Christine

sábado, 3 de setembro de 2011

O cômodo lilás


Um silêncio ensurdecedor – não escuto mais meus próprios pensamentos trancados no cômodo lilás. A brancura do chão toma conta das arredias convicções destinadas ao vento gelado que circula sobre toda a nudez escondida nas cobertas – a nudez tão harmoniosa dos pensamentos trancados no cômodo lilás. Os dedos deslizam sobre as costas nuas provocando arrepios pausadamente sensoriais e parcialmente ilusórios – a ilusão de que todos os prazeres do universo estão reservados para mim dentro do cômodo lilás. E também a sutil ilusão de que o amor é tão infinito quanto a louca imaginação da babuska que quer voar com as cegonhas e nadar com cisnes. A suave respiração das sílfides inspirando todo o perfume suave borrifado em minha nuca e ombros envolve todo o silêncio ensurdecedor do cômodo lilás. Nenhum ruído atravessa as paredes do cômodo trancado a não ser os gemidos, sussurros, suspiros e miados que cortam o silêncio ensurdecedor em pedaços generosos de satisfação plantada nas arredias convicções da louca imaginação da babuska que me beija antes de adormecer ao meu lado.

Liz Christine

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Os brinquedos do sótão


Mais um inverno rigoroso – tão rigoroso que perco as chaves do sótão em uma madrugada dominada pela lua irradiando inconstâncias sobre os flocos de neve.

As babuskas sorridentes de tão cheias de si mesmas seguem a dieta da lua para perderem o excesso de soberba variação de contrariedades passionais –


Não há mais paixões suficientes para abastecer a fome de invernos rigorosos – tão rigorosos que perco as chaves da soberba sobremesa escondida dentro da gaveta.


A frieza das janelas com tela à espreita de soluções plausíveis para a inconstância orgulhosa da afeição satisfeita guardada dentro das babuskas – uma frieza fragilizada que se desfaz a cada toque suave.


A suavidade das madrugadas completas – tão completas que um sorriso se esconde atrás do rosto imparcial que pouco demonstra de suas reais inclinações.


Toda a afeição retida se esconde no sótão – ou nas prateleiras que aguardam o retorno da música tecida em sonhos desfeitos pelo vento.


A cada despertar a mesma xícara sorri timidamente para a coleção de babuskas enquanto o café é degustado silenciosamente – um sabor de infância teima em embaraçar os cachos macios e longos da dona dos brinquedos do sótão.


A gata se enrosca na abelha de pelúcia ao lado do travesseiro e aguarda pacientemente a chegada da noite perfumada – tão perfumada que a cor das prateleiras se transforma diante de olhares discretos e parcialmente retidos no silêncio do quarto.


Liz Christine

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O calor de olhares gulosos


Ah a doçura que invade o aroma de café com bolo de laranja nas tardes de domingo. Desembaraçando os fios após lavar os cabelos em um banho repleto de sutilezas envolventes. É proibido fumar degustando um licor enquanto a criminalidade passeia impunemente pelas ruas – mas em refúgios isolados faz-se como quiser e não há preocupações de espécie alguma. Livre do barulho das ruas e isolada dos problemas sociais a doçura envolve os contatos parcialmente envoltos em silenciosas apurações sensoriais. Dentro de casa sem a menor vontade de sair espero uma oportunidade de te comunicar uma improvável troca de ideais – os já ultrapassados anos de impossibilidades abrem espaço para as silenciosas apurações sensoriais. E a gata branca se enrosca na trilha de catnip enquanto latidos distantes cortam o silêncio dos instantes compartilhados com o calor de olhares gulosos.

Liz Christine

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A brisa das madrugadas


A insanidade se refrescando dentro da geladeira abre suas asas ao redor da embalagem de sorvete de chocolate branco e o transtorno alimentar engatinha até a porta do banheiro trancado. O sabor de ilusão de cada descoberta gentil sobre as sensações guardadas dentro da memória descompromissada. Não há nenhum compromisso excedente com a realidade das palavras indomáveis porém doces como um pavê de nozes. Não há além de tudo e inclusive – não mais – nenhum compromisso também com o ritmo das inconstantes flutuações de dupla personalidade. Deixar-se estar – livre dos tormentos e constrangimentos da verbalização das insanidades diárias que se refrescam dentro da geladeira. Não compartilhar o doce-de-leite nem as reais inclinações de sonhos recheados com macarons e champagne envolvidos pelo aroma de Jadore. Ah sabores – sabor de incompreensões passadas da validade ou sabor de beijos impregnados de volubilidades refrescantes e suaves. A superação de todos os tormentos e transtornos vem acompanhada de fatias generosas de amor platônico. Todos os amores platônicos contidos no silêncio da penumbra do quarto onde a noite se esconde da curiosidade das amantes da lua. Todas as estrelas que reinam soberanas dentro da memória descompromissada – tão sem compromissos quanto os sentidos de cada estrofe de um poema musicado. Leia como queira – mas não quebre mais uma vez o silêncio das prateleiras onde descansam as babuskas da coleção de lembranças sem conexão com a realidade das insanidades morando dentro da geladeira. O transtorno alimentar foi-se embora de vez e ficaram sabores intensificados pela suave liberdade das vontades gulosas porém contidas dentro do silêncio quase sem expressão do rosto acarinhado pela brisa das madrugadas.

Liz Christine

Au vent du soir


No final do arco-íris tem o tempo incorrigível viciado em sensações preciosas de encantamento escondido na areia. Dançando ao sabor inconstante da música eterna e tão volúvel quanto as variações de bipolaridades casuais. Todos os transtornos psíquicos trancados a chave dentro de quartos mobiliados com silêncios, cores e bichos de pelúcia. As gatas descansam da sutil e inquieta explosão de sensações preciosas que preenchem o ar que circula nos quartos trancados a chave. A calma crescente que se apodera dos cômodos desocupados temporariamente emite suaves transtornos de percepção auto-regenerativa. A metade de um coração soterrado por pensamentos impiedosos se redesenha silenciosamente ao sabor inconstante da música que movimenta os sinos da porta. Não há mais idéias a serem compartilhadas – apenas silêncio feito de sensações preciosas e repleto de calma crescente. Não há mais frases a serem ditas – apenas silêncio que apura as sensações preciosas e gera perfumes de suaves transparências adocicadas.


Liz Christine

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Meninas e patos



Dentro do armário mora uma fada de longos cabelos cacheados que gosta de meninas e de patos. Todas as noites ela se perfuma com Jadore e lê com um ponto de luz dentro do armário – ela lê roteiros, peças de teatro e contos. Entre uma hora da manhã e sete ela deixa o armário onde vive e voa por aí observando meninas e patos durante seus passeios. Ela dorme de oito da manhã até quatro da tarde e trabalha de cinco às nove da noite – às nove ela se perfuma com Jadore e lê dentro do armário. Ela também trabalha dentro do armário, devo dizer, no seu notebook com conexão. A fada de longos cabelos cacheados não ama ninguém há três anos, apenas observa meninas e patos em seus passeios ou vôos. Ela não gosta de mais ninguém desde que se cansou das exigências e hipocrisias e tiques do que os humanos chamam de amor (as fadas chamam de outro jeito mas não convém explicar aqui). Ou talvez desde que se apaixonou de novo pela gata-borboleta que vive nas gavetas de outro armário, mas isso ela jamais admitiria. A gata-borboleta foi seu primeiro amor verdadeiro mas romperam e se reencontraram quatro anos depois às cinco horas da manhã voando na mesma esquina. E desde então a fada dos longos cabelos vive desdenhando o amor – puro despeito, alguns podem dizer. Auto-defesas ou quem sabe bloqueio – cada explicação mais óbvia ou tola que a outra. Nada disso. É estratégia – mas isso ela também jamais admitiria. Em suas andanças ela já viu de tudo – e foi assim que desenvolveu técnicas ou manias antes mesmo de descobrir se o amor era de fato uma bobagem ou uma verdade. Ela descobriu mas não contou para ninguém, como de costume. Continuou suas doces observações de meninas e patos – vez por outra se envolvia com uma ou outra observada mas nada que a tirasse do sério. Com patos ela não costumava se envolver, apenas observar sem ser vista e sem jamais se comprometer. A única coisa que a tirava do sério era a verdade dos sentimentos mais belos que nascem apenas uma vez na vida em cada existência solitária – mesmo vivendo em sociedade, somos todos tão solitários quanto a fada que vive dentro do armário e trabalha de cinco da tarde até nove da noite em seu notebook com conexão.

Liz Christine

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O silêncio da ex-bailarina




As borboletas recém-chegadas desafiam a monotonia do final da tarde de sábado. Mais um dia sem nuvens onde a monotonia resgata o tom necessário. A voz da lua se inclina sobre os cabelos presos, tão longos, da ex-bailarina fumando na portaria do prédio. A nostalgia passeia ao redor das janelas. Óculos escuros e uma garrafa de água-de-coco escondem o cansaço de noites mal-dormidas. As borboletas recém-chegadas desafiam toda essa monotonia das horas passando pressionadas por preocupações semanais. A cada semana chegam mais borboletas desafiando a voz da lua que se retira até o anoitecer. Um retiro sensorial onde as mais suaves inclinações perturbadoras sonham longe das curiosidades de cada dia. E ao anoitecer as cores das asas das borboletas brilham mais que o silêncio que se destaca a cada mudança no tom da música. O silêncio da ex-bailarina atravessando o corredor do prédio e entrando no elevador para chegar em casa.

Liz Christine

As cores do universo



De novo a tristeza latente ameaça as tardes de sábado. As buscas em vão não reencontram a paz das saudades satisfeitas. De novo a insatisfação reina no céu onde as nuvens desabrocham em gotinhas de insensatez repartida em três. Um ménage à trois de sabores parceladamente tão consistentes quanto a tristeza latente das tardes de sábado. Não, não há saídas. De novo a tristeza latente ameaça triângulos que desabrocham em pétalas amordaçadas. Cale todas as insatisfações com as parvas regras sociais que reinam abaixo das nuvens. Subverter a ordem natural dos níveis parcelados de consciência e consistência. Reencontrar a tão sonhada paz das saudades satisfeitas. As buscas em vão reencontram apenas desaprovação vinda das parvas regras sociais que desorganizam as individualidades preferenciais. A insenstatez repartida em três se esconde então embaixo da cama de casal onde cabem individualidades plenas de si mesmas reinando no céu onde as nuvens ditam a relação entre as cores do universo.

Liz Christine

segunda-feira, 4 de julho de 2011



Sílfides e willis dançando dentro do banheiro enquanto a banheira quase transborda por esquecimento. Nuvens de calor em volta dos espelhos enquanto a porta trancada preserva os descuidos da memória. Comment dois-je fuir? Fumando o quarto cigarro de hoje às onze horas da noite dentro da banheira – seis cigarros por dia, ainda restam dois a serem fumados até cinco horas da manhã. O racionamento de palavras parceladas enlouqueceria qualquer boa consciência. As horas sempre despertas se arrastam dentro do banheiro enquanto um cálice de vinho é degustado em absoluto silêncio entre duas pessoas que se desentendem a cada cinco minutos. O silêncio jamais será apreciado quando não há entendimento possível entre as partes. E as palavras nada explicam quando não há possibilidade de compreensão. Não há explicações plausíveis para memórias comprometidas por esquecimentos voluntários – escolher cada esquecimento necessário para o desenvolvimento parcelado. Sílfides e willis dançando dentro do banheiro enquanto todas as abstinências se desenvolvem dentro da banheira. Abstinência de compreensão, abstinência de satisfação plausível, abstinência de conforto emocional. As intransigências e manias felinas afloram a cada cinco minutos dentro da introspecção voluntária das nuvens de calor. Toda a falta de comunicação é tão voluntária quanto a cor que transborda na lua. Saindo da banheira e indo direto para o quarto descansar das improbabilidades diárias. A satisfação de todas as dúvidas é tão improvável quanto o racionamento de palavras parceladas.



Liz Christine

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Lua desacordada



A lua desacordada chora cada palavra que cai do céu (...).

O blues entristecido suspira por cada sonho interrompido (...).

Interferências na música provocadas por ruídos distantes (...).

O cotidiano se distancia e se desprende lentamente das paredes cheirando a dama-da-noite e jasmim (...).

A penumbra do quarto afasta cada lágrima da lua desacordada (...).

Sonhos interrompidos e palavras em vão desenham espirais de incompreensão desintoxicada (...).

A solidão é um veneno que corrompe o quarto habitado pela fumaça e pelo perfume da dama-da-noite e do jasmim (...).

Fumando as folhas do esquecimento e a embriaguez de um lento despertar (...).

O cotidiano se distancia e se desprende pouco a pouco das paredes exalando um suave amortecimento das cores e das tolas preocupações corriqueiras (...).

Apenas os ideais já esquecidos contam e a fumaça se dispersa com o vento que anuncia mudanças rápidas de humores nostálgicos (...).

A nostalgia abraça os instantes transparentes na mais pura letargia do torpor que envolve a penumbra (...).

Abrir os olhos para as mudanças que embaraçam os nós dos laços de seda cor-de-rosa (...).

A campainha toca e a gata branca se esconde no armário enquanto a lua desacordada chora cada palavra que cai do céu (...).

Liz Christine

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Insensatez embriagada



As patas cantarolando na lagoa – e a lua desaba sobre a grama (…).

Um cálice após o outro, e mais estrelas em torno da lua inspiram visões imprecisas (...).

Toda a imprecisão de instantes calorosos ao redor de incertezas puras (...).

Toda a inocência pura se mistura aos cálices de vinho – e as patas cantarolantes se aninham aos pés das verdades imprecisas (...).

Toda a verdade é tão incerta quanto os passos se aproximando cada vez mais – é a tua companhia (...).

Em tua companhia nenhuma palavra tem a mesma precisão que o brilho da lua deitada sobre a grama descansando das nossas incoerências (...).

As patas cantarolando na lagoa – e um cálice após o outro, e mais estrelas cochichando com a lua que se acomodou sobre a grama (...).

Cochichando todas as incertezas de uma madrugada compartilhada com a chuva inquieta que cai sobre instantes calorosos envolvendo inocências passageiras (...).

Tudo passa ou se transforma restando apenas essências apuradas que exalam amores corrompidos pela extrema falta de tato ou de sutilezas doces do mundo que nos rodeia (...).

A sutileza dentro do cálice de vinho apura cada vez mais os sentidos aflorando sobre inocências puras (...).

E os versos sublinhados em uma peça de teatro publicada quando a lua desabou sobre a grama se misturam à cantoria ao redor da lagoa – enquanto toda a imprecisão das tuas palavras flutuam em torno dos cálices compartilhados em instantes de pura insensatez embriagada (...).

Liz Christine

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Intransigências divididas com a lua



Alheia às palavras que me embalam em um sonho ausente (…).

A sede ultrapassa os limites de toda a ausência que mora nas ondas tão intensas que crescem a cada pausa no ritmo das asas em cada despertar (...).

Alheia às palavras que me embalam em um mergulho que se dissolve em pausas salgadas no ritmo do universo reduzido que mora em um sonho ausente (...).

Já nem sei mais digerir o excesso e o extremo de um universo reduzido que cresce ao redor de uma paixão sem limites (...).

Sonhando alheia à tua revolta sem limites em relação à indiferença das ondas tão intensas que engolem todos os silêncios ausentes transformando o excesso de palavras em asas de borboleta intoxicada por intransigências (...).

A cada mergulho ou a cada despertar, a cada excesso ou a cada extremo, a cada sonho ou a cada beijo trocado, a cada ausência ou a cada palavra compartilhada – a tua paixão sem limites tranforma o equilíbrio de um universo reduzido em intransigências divididas com a lua (...).

Liz Christine

Flocos de neve



As imagens se sobrepõem – o rosto se transtorna (…).

As luzes se entrelaçam ao sabor da música desenhando flocos de gelo se derretendo no teu colo iluminado pelo lilás contrastando com o sabor do vermelho ao lado do azul ignorando o verde (...).

As imagens flutuam sobrepostas e se desfazendo a cada acorde ou a cada vez que se abrem os olhos semi-fechados – e o mundo se transforma diante de sonhos desacordados (...).

Palavras dóceis invadem o casulo tecido ao redor do tempo definido pelas inconstâncias – e o rosto sorri vagamente desconcertado e apaziguado (...).

O som do mar envolve um vago sorriso apaziguado e a música desenha os bigodes de uma gata dançando com flocos de neve (...).

Liz Christine

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ventos de outono



A imprecisão das cores clareia as incertezas contidas no perfil desenhado por sonhos desajustados. O perfil de uma gata branca sorvendo toda a plenitude das estrelas. A cada gole de café, um sabor diferenciado de carícias apaziguadoras. Tudo soa inédito mas tenho todas as estrofes decoradas através de sonhos desajustados. A cada verso, a imprecisão das cores clareia as incertezas contidas no desenho feito sob medida para enfeitar o silêncio que apura os sentidos. É, o silêncio tem intenções variadas – ocultar sentidos ou apurar sentidos. Sorvendo cada instante retido nas intenções ocultas das estrelas que cobrem parcialmente teus gestos impacientes. A impaciência mora nesta rua repleta de sons parcialmente obscuros. É o mar cantarolando a cada madrugada até o amanhecer e a lua recitando estrofes de livros antigos que nunca soam datados. Tudo soa inédito mas tenho todas as estrofes decoradas através de sonhos desajustados namorando as incertezas plantadas ao lado da dama-da noite que perfuma a rua. Um olhar surpreendido enfeita a noite povoada por sons obscuros e músicas hipnóticas – é o olhar felino caçando mariposas e apurando carícias desavisadas. É, não há nunca avisos suficientemente capazes de nos fazer desistir – a cada tentativa de esquecer, as obsessões florescem dentro de sonhos desajustados. Alheia a quaisquer obsessões, a lua recita estrofes de livros antigos que nunca soam datadas – e o mar exala toda a perfeição de uma satisfação plena que atinge todas as metas planejadas. Não, nem todas as personalidades são dotadas da capacidade de planejar a longo prazo – vivendo o presente através de sonhos desajustados e impulsos irracionais porém deliciosos. A cada gole de café, um sabor diferenciado de carícias apaziguadores perfuma todos os instantes de suaves intransigências que envolvem as obsessões transitórias. É, tudo é transitório e muda de tempos em tempos – exceto os laços permanentes de um amor constante que cresce a cada noite repleta de cores imprecisas e contradições parceladas. As babuskas sobre a prateleira do quarto de brinquedos guardam todos os segredos (ou verdades) e contradições (ou amores constantes) que preenchem o perfil pensativo de uma gata branca desenhada em silêncio ao sabor dos ventos de outono.

Liz Christine

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sous la pluie



A tristeza sibilante e o devaneio lúcido – tão despreparados para enfrentar as temperaturas escaldantes de uma vasta plantação rasteira de sombrias perplexidades. E a sombra angustiada da insônia em vão acorda o despreparo do devaneio lúcido. A escuridão assombra pensamentos tolos vagando pelo corredor que leva ao banheiro mal iluminado por um ponto de luz colorido. Todas as tolices desgastadas pela razão turva que mal enxerga a inutilidade dos pensamentos circulares. As frases giram em círculos que se expandem e se fecham em torno de verdades dúbias. Tudo se transforma aos poucos em clareza passageira que se apropria de justificativas fúteis. Gostaria tanto que essa madrugada fosse tão bela quanto o perfil de uma gata lavando as patas na janela com tela – mas não. A escuridão sombria se apropria de cada busca por um sentido que jamais existirá. Nada mais faz mesmo sentido desde que perdi as chaves do paraíso artificial que abrigava um parque de diversões para jovens quase adultos de idades variadas e personalidades misturadas entre si. As essências se misturam e são adulteradas por diversos fatores sociais ou químicos mas as verdades turvas transparecem em cada clareza passageira. Gostaria tanto de nadar em águas claras e límpidas que de tão profundas parecem suaves devaneios. Mas a escuridão em que vivemos é rasa e poluída e as chaves do paraíso artificial se perderam depois de uma festa de aniversário que acabou em fatias parceladas de torta alemã com chá de morango. A última garrafa de champagne foi aberta às onze horas da manhã do dia seguinte à festa de aniversário e o último pedaço do paraíso artificial se desfez na minha língua às três horas da tarde de um dia nublado com temperaturas escaldantes. Busquei um sentido e encontrei apenas teu sorriso dúbio congelado ao lado de bolsas térmicas para tratar fraturas e dores musculares ou simplesmente refrescar idéias já desgastadas pelo calor de um verão em Paris.

Liz Christine

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Como tantas outras



O filhote de labrador uivando para as gardênias cortou o silêncio das ruas às cinco horas de uma manhã desgastada. A piscina vazia despertou um sincero impulso de esquecer as vaidades corroídas pela tristeza latente. O desolamento estava virado do avesso e contrariado pelas fotografias de antes de ontem. Um cálice de licor sobre o chão onde o desolamento descansa das últimas notícias sobre a nutrição das gardênias vendidas no quiosque da esquina. Dentro do táxi imagino minhas gatas deitadas na janela com tela à espera do nascer do dia. Entro em casa e encho o cálice deixado no chão antes de sair – as gatas observam todos os movimentos desgastados pela vaidade corroída por transtornos virados do avesso. O desolamento me espera na cama ou no chuveiro onde uma ducha despretensiosa vai refrescar minhas variações de pós-plenitudes. Após a plenitude vem a ladeira desgovernada e impassível de ser fotografada. Após as paixões recíprocas vem o desgosto e o desolamento da tristeza sem fim. Tudo muda menos a constância das repetições musicadas – a cada estágio, um tipo de som. Os estágios se misturam e se subdividem em gradações inconstantes onde reina a vaidade exibicionista que se consuma em fantasias registradas no livro inédito que nunca será publicado. A pós-plenitude sai da ducha e deita com as gatas em uma manhã desgastada como tantas outras.

Liz Christine