segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um tal sonho (ou o tal pânico)

Tive um tal sonho. Um tal sonho que me deixou com pânico. Anotei o sonho mas não o pânico – o pânico eu deixei de lado ao acordar. Nunca houve pânico nem nas estrelas nem na grama verde nem nas árvores nem em bichos de pelúcia – não nas ações, talvez apenas raramente em uma ou outra frase dita no escuro. Não, eu não tenho diagnóstico de fobia social e menos ainda de fobias sensoriais. Não tenho nenhum tipo de fobia ao sentir o gosto do perfume de uma folha ou caule de uma rosa feita de ondas de diferentes tons de uma cor (ou de cores misturadas). Eu posso ter fobia de rato e isso é o de menos (…). Ou eu posso ter fobia de um ato e isso já é um detalhe a ser considerado quando tento por mim mesma encaixar algumas peças desordenadas. Mas prefiro sempre esclarecer antes de tudo que posso duvidar de quaisquer conclusões ou afirmações acerca de um transtorno. Eu acredito que sempre há a possibilidade da escolha, sejam quais forem as limitações da realidade, há uma quantidade ilimitada de capacidade de escolher e de transformar e até de criar opções que nunca existiram antes e passam a existir a partir de então. Mas sei também que há momentos em que se pode mergulhar em alguma raiva absurda e isso nunca será um bom ingrediente na hora de escolher um caminho. E alguns caminhos podem alcançar a gente nas horas mais improváveis (…).

Liz Christine

Um sonho com sapo azul e reencarnação

Sonhei que eu reencarnava como filha do sapo-pato-azul e mantinha uma relação incestuosa com ele. Desde pequena eu tomava banhos com ele e depois que ele se separava da minha mãe no sonho eu passava a deitar com ele na mesma cama para ficar divagando dentro de mim mesma abraçada com ele. Minha mãe saía de casa quando eu era pequena e queria me levar com ela mas eu chorava muito e pedia para continuar morando com ele. Então eu ia crescendo ao lado dele até chegar à adolescência – e só durante a adolescência é que o incesto era consumado. Antes de consumar este incesto com o papai-sapo-pato-azul eu mantinha relações ou de amizade ou bastante amorosas apenas com meninas da minha faixa etária pois o único homem que me interessava no sonho era o papai-sapo-pato-azul (e além disso eu realmente me sentia atraída por meninas). Neste sonho eu escrevia até melhor do que escrevo no momento e me inspirava tanto em meninas quanto no papai-sapo-pato-azul para escrever meus textos e ele lia tudo.

Liz Christine

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Um sonho com a garota de olhos verdes e morangos roubados

Sonhei que estava na feira com a garota de olhos verdes e minha mãe estava com uma lista feita por mim do que devia ser comprado e minha irmã reclamava que também queria que minha mãe comprasse comida para ela. Eu e a garota de olhos verdes mostrávamos para minha mãe e irmã um montão de morangos vermelhos e mais outro montão de morangos amarelos que havíamos roubado na Feira da Glória. Depois eu e a garota de olhos verdes íamos para um cantinho isolado no final da feira para nos agarrarmos e a sensação de ser agarrada por ela era muito boa e prazerosa e viva.

Liz Christine

Um sonho com café com conhaque

Sonhei que estava no Plano B e o show havia terminado e eu já ia embora e de repente a música recomeçava e então eu sentia vontade de beber café com conhaque. Eu pedia ao sapo-duvidoso para ir comigo comprar café com conhaque e ele me respondia que não ia porque eu só falava com ele por causa da namorada dele. Eu ficava meio desnorteada e ia então pedir ao Pb para ir comprar café com conhaque comigo no bar em frente ao Plano B. Eu conseguia comprar o café com conhaque.

Liz Christine

sábado, 31 de outubro de 2009

31 de outubro


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Nuvens de mel (e o ronronar)


A curiosidade assustou um par de sandálias vermelhas deixadas sob uma escrivaninha. O amor destruiu um caderno de desenhos rascunhados ao longo de um par de anos. A gata cochilou sobre uma pilha de livros e o ronronar dela amaciou uma febre desenvolvida por uma palavra sussurrada. Os seios da janela telada sussurraram a palavra e a noite que caía em meus ombros tocou um poema nunca antes publicado. Eu vou te escrever porque da destruição pode nascer um período como nunca antes. Qual a melhor forma de aprofundar um amor? Eu sinto a profundidade, eu não raciocino o alcance. Eu sinto uma flor me acariciando, eu não analiso o significado de um copo. Sim, eu miava e ronronava enquanto alguém me seguia até eu quase alcançar uma estrela perdida em uma confusão de conversas paralelas. É que procuro um chão que possa também voar comigo mas o que tenho visto é lama e musgo. Uma lama de conversas paralelas entre a chave do quintal onde pousam as ovelhas semi-nuas e as plantas regadas com areia da praia desabitada. Quem mora definitivamente em meu coração ou em minha língua? Eu busco algum mar e há apenas um azul e uma verde oscilando dentro de um chuveiro onde a porta não se fecha. Mas eu vou fechar o tempo e te escrever dizendo que não quero mais porque não tem feito nada tão assim assim. Eu não quero mais te ver talvez. Pelo menos por enquanto, até eu me curar da ressaca da fumaça. Em meus olhos há nuvens de mel (...).

“When your heart’s on fire
You don’t realize
Smoke gets in your eyes”
Trecho da música Smoke gets in your eyes,
cantada por Dinah Washington ou
tocada por Benny Goodman com a voz de outra

Em meus olhos há nuvens de mel deixadas pelo rastro da fada de mel que mora dentro de um mar que acorda a gata branca que mora dentro das flores deixadas com um bilhete na porta de uma clínica psiquiátrica especializada em recuperação de sonâmbulos arredios. As palavras convalescentes descançam as idéias em tuas pernas. Eu tenho andado lânguidamente à procura de uma solução e tenho dançado lânguidamente em busca de uma resposta só. Quem me deseja mais que uma fatia de bolo com cobertura e recheio? Um pato de doce de leite com nozes mora dentro de uma frase pronunciada no silêncio de uma página a ser preenchida – mas a fada de mel gera todas as imagens que nascem do meu rio. Eu tenho cheiro de baunilha e gosto de morangos e cerejas com sorvete e nicotina. Sim, eu sou feita também de sorvete e impaciência. Portanto, use tua língua – eu nasci para isso. Eu preciso também absorver o calor das palavras. Mas não as pronuncie em voz alta (...). Nem espalhe incoerências ao meu redor contando às ovelhas semi-nuas que eu me escondo às vezes atrás da lua para aparecer depois dentro de um livro ou de um banheiro com uma pia cor de rosa e uma toalha sobre o chão.

Liz Christine

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Amar (toda a liberdade possível)


Um beijo – um beijo faz toda a diferença.

Nada que palavra alguma possa expressar (...).

É possível desenhar com palavras? – sinto falta (...),

Falta de sentir. Falta de sentido. Alguém me ama muito, e já –

– Agora: eu não me permito (...) mas me dou toda a liberdade possível.

(?) Não quero te amar.

E não pretendo te dizer nada realmente além de muito pouco (...).

Assim é que se foi?

Alguém me ama muito desde já até o infinito do sentido nunca (...) –

– (...) Nunca deixar de querer bem e próxima. Mais próxima.

Sempre mais, e mais, até que eu me sinta (?).

Protegida e sem tantas dúvidas – é possível desenhar (...)

(...) com palavras? Apenas um beijo.

Nada que palavra alguma possa realmente expressar – me diz como:

: como tu me encontra sempre, a cada vez que eu fujo de ti?

Porque vou fugir sempre, e mergulhar cada vez mais. (...)

Não, não há fórmulas: apenas a essência de tudo rodeando um silêncio que

se desfaz em um abraço – à espera de impulsos (...).

Da minha parte eu ainda não pretendo. Não no momento.

Nesse instante agora eu não quero te amar – nem a ti nem a ninguém.

Pode me amar – e me deixa absorver todos os sentidos (...).

Absorver sentindo que – não há muito que me importe, além disso.

Isso que chamam de (...)

Liz Christine