quinta-feira, 2 de março de 2017

Vírgula




Bloqueio de palavras Sentidos despertos Poesia submersa Imersa em sentidos Mergulhada em silêncios Viens ici Viens tous les jours Bonjour mon rêve

Vírgula

Abra parênteses para explicar o silêncio

Jamais o explicaremos

Feche os parênteses

Uma outra raposa estuda para ser psiquiatra e brinca de ser chef de cozinha em casa nas horas vagas. O gato é um poeta que não ganha dinheiro algum mas recebe tudo que desejar em seu ambiente afetivamente preenchido porém isolado do resto do planeta ao redor. As gatas siamesas igualmente não estão interessadas no pequeno planeta ao qual chamam "aspas". E o mundo chega através da janela. Rede de proteção. E a música circula entre um sonho e outro silêncio parcialmente recheado. Recheado com morangos. Café e chocolate. Água mineral. Uma vírgula.

- "Para quê serve escrever?" - "Para nada, absolutamente nada..." - "Escrever muda alguma coisa?" - "Que eu saiba, não..." - "Ler muda alguém?" - "Pergunte a quem lê..." -

Não perguntarei. Não afirmarei. Não questionarei. Não aceitarei. Não negarei.

Esperemos.

Esperemos o quê?

(A Lua clarear as idéias.)

Liz Christine