quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Tu ne sais pas aimer


Tu ne sais pas aimer, tu ne sais pas
En vain je tends les bras

Tu ne sais pas aimer, tu ne sais pas
Jamais, jamais tu ne sauras

Procuro o amor. Je me rêve loin d’ici. Busco a mim mesma. Oui, je me rêve loin d’ici. Sans futur. Meu futuro é uma névoa gelada e transparente que anda para trás ou gira em espiral. Meu futuro recua quando eu me aproximo de detalhes inertes de um pensamento confuso e dilacerante. E a dor é intensa. Dói, e dói cada vez mais. A cada palavra guardada ou dividida. Eu falo, e dói. Eu me calo, e sofro. Eu gosto de ser independente. Gosto de ter meu espaço impenetrável. Gosto de me trancar à chave e ir até as últimas consequências do sonhar ou pensar. Mergulhar dentro de mim. Mas minha doença me torna dependente, e como eu odeio isso!, como detesto essa doença – essa doença se chama busca. Eu procuro, eu me procuro, eu te procuro, eu me vejo, eu me toco, eu te abraço o tempo todo em pensamento, eu te beijo em sonhos, eu te descubro, descubro como você reage e como você sonha de olhos abertos tanto quanto eu com isso que os filmes tornam possível pelo menos no anseio e na eterna busca – são poucos os filmes que ignoram isso. Está em tantos livros. O encontro, ou o desejo de encontrar. Eu já encontrei, mas como custei a admitir!, como me perdi em outras buscas por experiências e fantasias que só me trouxeram… sofrimento?, prazer?, angústia?, estresse pós-traumático?, pesadelos?, euforia?, confusão mental? Sim, meu amor por você é verdadeiro e talvez eterno, gostaria que você me compreendesse. Mas minhas fantasias vagueiam loucas pelo meu corpo inteiro e por qualquer besteira eu desejo – eu desejo uma mulher que tem uma filha de dezessete anos e não é casada por ela ser extrovertida e dizer besteiras que me fazem alegre quando a vejo. Eu desejo uma amiga da minha mãe que é casada e tem um filho por ela ser inquieta e agitada e me abraçar sempre que me vê. Eu desejo outra por ser tranquila e inteligente. Eu desejo uma menina que eu vi passando na rua pelo modo de andar e pela cor dos olhos. Eu desejo mais outra mulher que trabalha num estúdio de tatuagem pela quantidade de piercings que ela tem e pelo jeito de sorrir. Eu desejo atrizes de filmes antigos pelos papéis que elas fizeram e pelo que elas viveram também. Nasce ao menor detalhe e se desfaz com a maior rapidez. Mas meu amor por você é constante e me dói há anos. Eu sigo em frente, olhando todas ao meu redor, dizendo a mim mesma para te esquecer. E eu não quero mais saber de homem nenhum. Eu só quero sentir prazer, quero excluir o que causa desprazer e repulsa. Mas o amor machuca – é isso que se busca tanto? É para isso que se procura tanto? Não pode ser. Não tem como entender. Amar deveria ser encontrar o equilíbrio e a tranquilidade, o fim das angústias. Mas…

Sigo em frente, nascem desejos novos, vejo outros rostos, mas é o seu – é o seu, e só o seu. É a lembrança que eu tenho de você que me deixa acordada à noite. Não quero mais sonhar os sonhos de sempre.

“Não se decidira a voltar para casa antes das três horas porque era sinistro pôr a cabeça no travesseiro e deixar-se afundar nas trevas imaginando que haveria um amanhã.”

A idade da razão, Sartre

Liz Christine

Um comentário:

Fábio disse...

gostei muito do texto.
Parabéns por gostar de ler JP Sartre, ele é muito bom mesmo.