sábado, 12 de maio de 2012

Ninotchka e Sócrates



Supostamente criticadas pela falta de bom senso, as ovelhas indignadas se revoltaram contra a invasão de parasitas nas plantações arredias de poemas para viagem – e o serviço de entrega resistiu aos prantos irregulares das colméias domesticadas. O tédio invadiu o quarto das bonecas com rosto das divas do cinema clássico e os cupins fizeram a festa do vinho decantado nas estantes de livros de teatro. O livro que narra a vertigem de Eros e Psiquê assoprou o segredo sobre a duvidosa paternidade que Afrodite escondia – e o gato chamado Sócrates anotou o segredo em seu caderninho onde ele trancrevia as listas de subjetividades a serem desmistificadas durante a celebração do catnip com as gatas das redondezas. Sócrates nunca sai de casa sem acompanhantes ou casinha de transportar gatos – e mia discretamente ao pressentir a festa do vinho decantado dos cupins devorando os sentidos ocultos sublinhados nos livros de teatro da estante. Lisístrata iniciou o protesto do beijo livre entre as bonecas com rosto de divas do cinema clássico – e não havia mais ninguém espionando as bonecas todas se beijando a não ser o sempre presente e sorrateiro Sócrates, que fotografou todos os detalhes do protesto do beijo livre. Não há testemunhas – apenas registros e anotações detalhadas que Sócrates irá esconder em seu notebook trancado no armário ao lado dos estoques de catnip que será usado na celebração do aniversário de uma gata branca chamada Ninotchka.

Liz Christine

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