terça-feira, 1 de maio de 2012

J’adore




tédio expectorante que consome as tardes e noites - ah que tédio...

nada muda mas nada permanece - continua mas longe demais

longe demais para quebrar o tédio expectorante

nada muda mas nada permanece - a consolidação da eterna solidão

amor é pura ilusão e o mais doce clichê -

- nada existe além do prazer ou

ou desgosto que sucede ao prazer

ou libertação que sucede ao prazer

libertação ou desgosto? nada existe além do prazer

amor é pura invenção dos poetas ou cineastas

cada uma com sua definição ou fantasia

cada espécie ou alucinação com seus princípios ou ideais

espécies divergentes ou alucinações coerentes?

amor é quase um delírio - fantasiar algo que jamais existirá

jamais existirá a não ser na arte

filmada ou cantada ou escrita ou fantasiada

suavemente fantasiada em salas escuras ou quartos trancados

ou em camas recobertas com pétalas de rosa e perfumadas com

com J'adore...

ah tédio expectorante - libertação ou alucinação?

desgosto ou prazer crescente?

ah mulheres - ah doce passado - ah impossível futuro

o futuro jamais existirá - só existe o antes e o agora

o depois é uma abstração

amor é igualmente uma suave abstração

ah mulheres - ah passado - ah amor - só existe o antes

e o agora - ah prazeres linguistíscos

ah carícias suaves, doces, eternas - o lesbianismo

lesbianismo essencialmente puro e inocente

onde o amor é possível? onde o prazer é sinônimo de libertação?

onde senão em sonhos ou em escolhas mais sensatas?

ah dificuldades - a mulher ideal existe (em sonhos ou realmente?)

mas ela muda e não permanece - muda e muda de novo

e muda sempre - de acordo com suas vontades

ela fica em seu colo como uma gata mansa

e te expulsa às vezes como alguém que teme o amor

e te chama de volta com miados sussurrados

e foge quando a chuva vem acompanhada de trovões

a mulher ideal sou eu - eu que me chamo Psiquê

mas também posso ser Eros ou Greta Garbo

ou quem sabe Liz Taylor ou Rainha Cristina

ou simplesmente Christine em algum filme do Truffaut

ou Ninotchka ou até Ingmar Bergman

o espírito livre - metade Eros, metade Psiquê

pensamentos sem gênero (livres) - pensamentos dúbios

abstrações - fantasias e realidade

a mulher ideal escreve delírios - e sonha mais que a lua

e vive um dia de cada vez sem planos a longo prazo

e se perfuma com J'adore e tem um gato e duas gatas que são namoradas dela

um verdadeiro harém felino - só dela e de mais ninguém

Liz Christine

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