quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diferença



Esquece, esquece, esquece... esquece a ventania que descabela as árvores...

Esquece mais uma vez... esquece a tristeza extrema que circula impunemente entre os cachos de uvas descontentes com a invasão das vozes sorrateiras...

As portas estão trancadas mas as vozes vêm pela janela semi-aberta ou pela sala distante habitada pela ventania que se comunica aos gritos – gritos ignorados no quarto trancado...

Nada mais é absorvido – a devolução sem digestão... pedaços inteiros de tristeza extrema não mastigada devolvidos na privada...

Se fosse possível virar tudo do avesso e recomeçar sem nenhum tipo de lembrança – esquece, esquece, esquece...

Esqueça tudo e qualquer coisa – simplesmente esqueça...

Esqueça quem você é ou foi ou será – e esqueça o que quer também...

Já que nada é como queremos – então que nunca mais se deseje nada...

Que a vida seja um eterno tanto faz – porque nada mais faz diferença...

Liz Christine

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