segunda-feira, 2 de junho de 2014

Il lettore




La pioggia. Abbiamo pianto. Notte fonda. La lettura e le parole che non diciamo mai. Ascoltiamo senza dire una parola. Niente. Nulla. Nessuno. Mai. Dimenticare. Riesco sempre – a disegnare i tuoi sogni.

Uma casa trancada. Janelas com rede de proteção e cortinas fechadas. Todas as luzes apagadas, exceto a luz do banheiro. Quartos trancados, tudo trancado – tudo, inclusive olhares e vozes. Ninguém fala, ninguém suspira, ninguém canta, ninguém jamais ouve uma única música – o silêncio é absoluto. A gata da vizinha desconfia que não há ninguém ali. Naquela casa pintada recentemente. Reformada. É um sonho do gato que pinta as unhas dos cisnes enfeitiçados – durante o dia são cisnes e durante a noite até o amanhecer são moças. E essas moças fogem, ou pelo menos tentam – daqui a um ou dois meses, entre oito e meia noite e meia, o gato quebrará o feitiço. O gato gosta de ouvir Nina Simone. O gato tem uma bela casa onde vivem suas donas – o apartamento está no nome de suas donas mas o proprietário de todos os bens e do imóvel é ele, o gato. Sócrates, naturalmente. Sócrates sonha. Sócrates bagunça. Sócrates lê ou assiste. Tutto questo è possibile al computer, tutti i giorni, il gatto legge e studia le babuske e le matrioske e gli umani. O gato lê os olhos, os gestos, silêncios ou palavras, diálogos, livros, desenhos, coreografias, filmes, balés e sonhos – seus próprios ou os alheios.

                    “Mi dà sempre un brivido
quando osservo un gatto che
                            sta osservando qualcosa che io
               non riesco a vedere.”
                                 (Eleanor Farjeon)

Liz Christine

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