quarta-feira, 13 de maio de 2009

A nudez do teu sono

Daqui a alguns poucos minutos o dia amanhece dentro de mim – há o universo dentro de mim que em pouco tempo estarei fora da realidade que me sufoca cada vez mais e a todo momento. A todo momento eu sinto circulando a fumaça perfumada que escorre líquida do desamparo – sim, eu me sinto tão desamparada quando ouço pensamentos que gritam descontrolados a própria perda. Perda de sentidos – as palavras perdem todo o sentido a todo instante. Instantes de pura perfeição tão transparente que te sinto através de vazios – é que há um vazio a cada pausa. As vezes há pausas preenchidas, outras há o vazio de algo a ser dito que se apaga lentamente – uma palavra ou frase sufocada por uma sensação obscura ou por qualquer outra coisa onde escapa minha atenção. Sim, não me concentro tão facilmente. Eu mergulho em conteúdos e em espaços perdidos ou encontrados – onde eu reencontro a tua sede?

Sim, há palavras vazias de significados e há também pausas preenchidas por sentidos tão intensos que eu me perco em ti. E há o desamparo da incompreensão – é quando as palavras perdem os sentidos ou são compreendidas de outra forma que não é exatamente nada parecida com o nosso universo. Mas há compreensão possível nesse mundo limitado por isolamentos parciais ou individualistas? Não me pergunte mais nada. Eu não tenho respostas para teus problemas – e, falando muito francamente, acho que talvez me agradasse caso eu fosse um problema para ti. Um problema desses que tiram o sono e passeiam entre sonhos pincelados de cores raras. Eu quero ver a nudez do teu sono – quais flores brotam dos meus seios durante o teu sono?

Os instantes de pura perfeição transparente que se perdem em meio ao desamparo – é que posso sentir incompreensão escorrendo das paredes em ambientes abafados pelo calor do momento que te cerca de forma quase impossível.

Liz Christine

Um comentário:

Mulher vã disse...

Oi, gostei muito de seu texto, me chamou atenção principalmente a metalinguage com que usa as palavras. Cada palavra escrita, é de arrepiar, pois sinto em cada caracterer o desespero com que foi escrito. Fumaça perfumada escorrendo e depois a parte que fala dos sonhos e sono.
Mas na minha opnião, o ultimo parágrafo foi dispensável.

Fique bem, e dê uma passada em meu cafôfo =)