segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Asas de.


“And I ain’t guilty of crimes accused me of,
But I’m guilty of fear.”
It could be sweet, Portishead

Fecho os olhos. Tua voz flutua em torno da minha nuca – onde começa o meu. Minha intenção é mergulhar nos teus olhos – verdes como as asas de uma. Sinto as cores. Cores se multiplicando em minha nuca num contínuo que se estende pelos ombros e escorrega através de meus braços até chegar em minhas mãos – eu quero. Preciso tocar tua pele. Teu rosto de frente para mim – mas onde eu te sinto é em minha nuca. Quando meu olhar se perde dentro das minhas intenções – é como se eu os fechasse para ouvir tua música. Porque tuas frases parecem saídas de um poema musicado – e feito exclusivamente para mim, apenas eu poderia mergulhar dentro desse poema. Sei que quando tento dizer a qualquer pessoa o quanto eu – não posso dizer. Não há como explicar uma vontade irracional ou um prazer físico causado por um simples olhar – mas nada é simples, ou nada é complicado como pode parecer. Não posso nesse instante ler teu verde. Não compreendo tuas perguntas e não adivinho tuas motivações – é que minhas pernas concentram toda a minha atenção. E sei que querem correr – ultrapassar todas as etapas. Etapas estipuladas por quem? Talvez não passe mesmo disso. Talvez não haja nenhuma vontade em ti de me ter mais uma vez. Já me teve e talvez já tenha sofrido por motivos que esqueci ou nunca soube ou não quero ver. A inconstância de meus pensamentos gira em torno de possibilidades utilizáveis de te esquecer rapidamente... ao chegar em casa vou tentar – e claro que consigo – pensar em outro rosto que não o teu. Vou fabricar pensamentos que me impeçam de querer te ligar para saber se chegou bem em casa. Pouco me importa. Os meios de superar não importam, o que conta é superar. Antes – eu queria mergulhar, tentar, te respirar, te ver. Agora – não sei.

Eu quero a realidade do encontro de intenções que convergem na mesma direção. Não preciso de mais fantasias – devo me despir delas – porque apenas sonhar não me leva. Preciso ser levada. Até os limites de mim mesma para esquecer o quanto tenho medo. Medo de perceber que ainda te quero.

Liz Christine

Um comentário:

Ricky Bar disse...

Ótimo seu blog... pena que não tem o marcador pra te acompanhar!

Continuo com você
Encontro tuas mãos
Frenéticas
Provocando-me insanidades
Desejos,
Espasmos de prazer
Não consigo trégua
Possuo-te
Com desejos incontidos.
Tortura-me de amor,
Fome de prazer
Com a tua sedução
Confesso: te quero
Se toque,
Quero teu orgasmo sem medo.
Sou teu algoz além da imaginação
Deixe meu corpo em frangalhos
Deste prazer incontido,
Comigo
Sem medo, profundo,
Sentido!