domingo, 22 de novembro de 2009

Um mar feito de estrelas de mel


Eu te olho e vejo uma árvore de orgasmos de onde nascem gemidos que geram um mar feito de estrelas de mel. Hoje é só. Hoje é só mais um dia em que deixei de te dizer que a cada vez que te espero eu mergulho em reticências entre parênteses de onde escorre todo o meu estar. Estar do teu lado é às vezes simplesmente reecontrar todo o equilíbrio contido em uma inocência espontâneamente carente de (...).

Liz Christine

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

À parte


Estrelas caem de um livro a todo instante – mas eu perdi o livro e não sei onde me encontro (...). Algum lugar à parte onde a grama cita trechos de um perfume desenhado em algum lugar à parte onde uma estrela brilha mais que todo o instante em algum lugar à parte onde posso me ver livre de todas as perguntas que fazem com que eu me sinta à parte em todos e quaisquer lugares (...) – ;

Liz Christine

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Uma quase certeza (um pouco surda)


Palavras em algum lugar perto de mim (…) – soltas. Tão soltas que não encontro a linha divisória entre o tom de cada conjunto e a mania silenciosa do mar habitando um sonho que me acorda aos poucos – algum dia eu volto. Agora não estou (…). Agora não estou mais em casa, estou flanando no mar azul – e depois de sair da cama feita de pétalas de mel escorrendo de um beijo sonhado a cada dia, novamente, eu já não me encontrarei mais desejando um reencontro perfeito. Há perfeição em cada detalhe, sim, há. Há perfeição em cada detalhe sentido em silêncio, sim, sim. Eu digo que sim porque já conheci o beijo que considerei ou senti ou adivinhei ou recebi ou troquei – perfeito, sim, perfeito. Não existem talvez muitas qualidades perfeitas em seres humanos. Mas existem os defeitos perfeitos, os defeitos ideais. E existem sim, também, ações perfeitas ou mais que perfeitas. Claro que a linha divisória entre qualidades e defeitos se altera a todo instante – impulsividade para alguns é um defeito grave, enquanto outras pessoas apreciam uma certa capacidade de se atirar ou mergulhar (…). Mas olha, há o impulso em direção ao certo e o impulso em direção ao erro. E eu preciso te dizer que, contrariando a minha necessidade de questionar certezas cegas, eu sinto até em alguns momentos uma quase certeza (um pouco surda) – nesses momentos em que penso em ti. Pelo menos uma noite inteira. Depois tudo volta aos seus devidos lugares e nada se altera nem em mim nem na tua realidade. Talvez algum pedaço ou tudo em mim mude repentinamente – ou não. Já nem sei mais o que digo ou o motivo pelo qual falei (…). Durante as madrugadas, minhas asas podem assustar algum pensamento insone que não pretende fazer perguntas diretas mas tenta por si próprio encontrar ou criar algumas respostas – há trechos das madrugadas em que minhas asas podem também beijar palavras que releio imaginando novas palavras. Eu releio tuas palavras silenciosas (…). As minhas transbordam de uma xícara de café – diariamente, durante as madrugadas, minhas palavras transbordam de uma xícara de café que se repete indefinidamente enquanto ouço a cafeteira mugindo para a lua para abastecer minha euforia (discreta, porém tão solúvel quanto chocolate em pó).

Enquanto eu puder descansar minhas incertezas sobre ti, eu não vou mais desejar um reencontro perfeito até que eu sonhe mais e a cada vez que sonho – eu desejo apenas a liberdade, onde a encontro? Essa resposta eu sei. E não faz tanto tempo assim que descobri (…).

Liz Christine

Fora do gancho


Não, eu quero ouvir esse barulho irritante a noite inteira – o barulho que meu telefone faz quando está fora do gancho. A noite inteira. No momento nem quero ouvir música, apenas me concentrar em um detalhe irritante dentro deste quarto. Este quarto não pertence a ninguém, nem mesmo a mim pertence. É um quarto que flutua e vez por outra recomeça a despencar mas de vez em quando se derrete porque as paredes são de trufa – alguém já esqueceu uma trufa no congelador? Eu não vou te prometer nada nem vou te exigir nada nunca, apenas lembre-se que todas as maçãs são iguais – ou cada uma é específica como o sabor da aparência de um barulho? Exigências todas as lagartas fumantes ou não-fumantes fazem – mas eu sou uma borboleta com o espírito livre e a alma lânguidamente inquieta que se transforma quando quer em uma gata branca com alma de fada vermelha que transforma pedras em belas flores. Sim, há corações feitos de esmeraldas ou de diamantes (alguns brutos, outros lapidados) mas há também (a maior parte) corações feitos de pedras das mais ordinárias e hostis ou perigosas. Algumas cortam, outras podem destruir, mas a maior parte apenas dá tédio ou nojo. A nudez é bela, os beijos são doces, mas os conteúdos presentes na maior parte das pedras as mais vulgares possíveis é simplesmente descartável – se é que existe. Mas o que é que existe dentro de um barulho constante perdido em meio ao silêncio das janelas fechadas e porta trancada?

Liz Christine

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um tal sonho (ou o tal pânico)

Tive um tal sonho. Um tal sonho que me deixou com pânico. Anotei o sonho mas não o pânico – o pânico eu deixei de lado ao acordar. Nunca houve pânico nem nas estrelas nem na grama verde nem nas árvores nem em bichos de pelúcia – não nas ações, talvez apenas raramente em uma ou outra frase dita no escuro. Não, eu não tenho diagnóstico de fobia social e menos ainda de fobias sensoriais. Não tenho nenhum tipo de fobia ao sentir o gosto do perfume de uma folha ou caule de uma rosa feita de ondas de diferentes tons de uma cor (ou de cores misturadas). Eu posso ter fobia de rato e isso é o de menos (…). Ou eu posso ter fobia de um ato e isso já é um detalhe a ser considerado quando tento por mim mesma encaixar algumas peças desordenadas. Mas prefiro sempre esclarecer antes de tudo que posso duvidar de quaisquer conclusões ou afirmações acerca de um transtorno. Eu acredito que sempre há a possibilidade da escolha, sejam quais forem as limitações da realidade, há uma quantidade ilimitada de capacidade de escolher e de transformar e até de criar opções que nunca existiram antes e passam a existir a partir de então. Mas sei também que há momentos em que se pode mergulhar em alguma raiva absurda e isso nunca será um bom ingrediente na hora de escolher um caminho. E alguns caminhos podem alcançar a gente nas horas mais improváveis (…).

Liz Christine

Um sonho com sapo azul e reencarnação

Sonhei que eu reencarnava como filha do sapo-pato-azul e mantinha uma relação incestuosa com ele. Desde pequena eu tomava banhos com ele e depois que ele se separava da minha mãe no sonho eu passava a deitar com ele na mesma cama para ficar divagando dentro de mim mesma abraçada com ele. Minha mãe saía de casa quando eu era pequena e queria me levar com ela mas eu chorava muito e pedia para continuar morando com ele. Então eu ia crescendo ao lado dele até chegar à adolescência – e só durante a adolescência é que o incesto era consumado. Antes de consumar este incesto com o papai-sapo-pato-azul eu mantinha relações ou de amizade ou bastante amorosas apenas com meninas da minha faixa etária pois o único homem que me interessava no sonho era o papai-sapo-pato-azul (e além disso eu realmente me sentia atraída por meninas). Neste sonho eu escrevia até melhor do que escrevo no momento e me inspirava tanto em meninas quanto no papai-sapo-pato-azul para escrever meus textos e ele lia tudo.

Liz Christine

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Um sonho com a garota de olhos verdes e morangos roubados

Sonhei que estava na feira com a garota de olhos verdes e minha mãe estava com uma lista feita por mim do que devia ser comprado e minha irmã reclamava que também queria que minha mãe comprasse comida para ela. Eu e a garota de olhos verdes mostrávamos para minha mãe e irmã um montão de morangos vermelhos e mais outro montão de morangos amarelos que havíamos roubado na Feira da Glória. Depois eu e a garota de olhos verdes íamos para um cantinho isolado no final da feira para nos agarrarmos e a sensação de ser agarrada por ela era muito boa e prazerosa e viva.

Liz Christine

Um sonho com café com conhaque

Sonhei que estava no Plano B e o show havia terminado e eu já ia embora e de repente a música recomeçava e então eu sentia vontade de beber café com conhaque. Eu pedia ao sapo-duvidoso para ir comigo comprar café com conhaque e ele me respondia que não ia porque eu só falava com ele por causa da namorada dele. Eu ficava meio desnorteada e ia então pedir ao Pb para ir comprar café com conhaque comigo no bar em frente ao Plano B. Eu conseguia comprar o café com conhaque.

Liz Christine