segunda-feira, 2 de abril de 2018

Variations du Miroir




O rouxinol se lamenta em silêncio, pois ninguém quer ouvir lamentações. Hoje é um dia de festa. A festa da coroação da rainha das fadas. Flores diversas foram colhidas. Pêssegos foram mergulhados no mel. E morangos misturados ao chantilly.
Não há mais nada a ser dito. Os dias deveriam ser doces. As noites deveriam ser suaves, e as palavras inesgotáveis deveriam ser podadas para esculpir o sabor supremo das horas em flor. A dança dos cisnes deverá ser refeita assim que a lua for vislumbrada no céu.
Socrate, ou Sócrates, ele próprio reescreve eternamente seus rascunhos. Greta Garbo jamais relê o que ela mesma escreve. Mas ela relê constantemente o que Socrate (ou Sócrates) escreve. E trocam textos, poemas, e sonhos e músicas (...).
Os dias dos humanos deveriam ser doces, mas não o são. Por isso o rouxinol se lamenta ao espioná-los, sempre sobrecarregados e estressados.
Hoje é um dia de festa em um reino distante, talvez inexistente para muitos humanos. Inexistente para aqueles que não acreditam que exista.
Liz Christine

sexta-feira, 2 de março de 2018

Moderato Maestoso




... E no sonho Socrate se chamava Sócrates Baudelaire Wilde Pepato, e Colette se chamava Zelda Farfalla Fitzgerald Pepato...,, . Juntos, no sonho, reescreveram a peça em três atos cujo título era “A dança dos cisnes e a coreografia das horas em flor”. Greta Garbo, no mesmo sonho, também se chamava Greta Garbo, e resolveu escrever um monólogo sobre a incompreensão e o desperdício de palavras – mas logo se entediou com o tema e largou inacabado o rascunho. E então, foram os três felinos -  Sócrates Baudelaire Wilde Pepato, Greta Garbo e Zelda Farfalla Fitzgerald Pepato – e então, foram dançar, os três felinos, e então foram os três dançar a tarantella juntos... E dançaram, sonhando, até acordarem e se desejarem “buongiorno”. E, já acordados, degustaram rações italianas e queijos franceses, e ouviram música; e, juntos, reescreveram novamente, dessa vez incluindo Greta Garbo entre os autores, reescreveram juntos a peça em três atos “A dança dos cisnes e a coreografia das horas em flor”.

Enquanto isso, Éluard - que não mora no mesmo bairro -  tentou escrever um poema sobre a falta de dinheiro, mas logo desistiu também do tema e resolveu fazer café. E, bebericando café, Éluard achou que o título “AllegrettoVariations du Miroir” seria um ótimo título, mas não tinha ainda nada para escrever e deveria guardar este ótimo título para alguma outra ocasião ou inspiração... (...).

Liz Christine

sábado, 3 de fevereiro de 2018

As águas





          O farfalhar de asas ocultas
   Palavras degustadas vagarosamente
         Dentro do silêncio repartido

O mundo que carregas dentro de um silêncio
         O farfalhar de asas ocultas
                 Palavras que escondes
                             Transparentes

(A Lua governa as águas, li e anotei.)

Miados desenham suavidade sossegada
E palavras desenham incompreensão
                      (Vez por outra.)

Liz Christine

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Venuta dal mare






A chuva teve duas filhas, a Insensatez e a Utopia. A Lua não teve filhas, pois suas amantes eram as estrelas. O silêncio gerou cinco músicas, duas cantadas em italiano e outras duas cantadas em francês; a última música gerada, Calíope a calou.

Fragmentos e extratos de sonhos devidamente guardados.

  Vorrei ritornare. Venuta dal mare,
               sarei tornata al mare
    se la Luna mi avesse fatto vederti.

Liz Christine