quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Babbo Natale




Kitri ha dato un profumo a Lise. Gliel’ha dato ieri. Sócrates ha dato una bambola a Marie Taglioni. Gliel’ha data due giorni fa. Ho dato catinp a Sócrates. Gliel’ho dato oggi. Pamina e le sue sorelle Adina e Liù hanno ricevuto dei giocattoli. Le babuske e matrioske organizzeranno un cenone per le amiche fate e umane. Sócrates sta aspettando più catnip. Mia madre ha comprato vino e grappa. Forse ce li dará domani perché torna dall’estero in serata. Tra una settimana è Natale. Siamo in vacanza. Buone Feste.

Liz Christine

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Volare




As danças medievais. A música irlandesa. A música escocesa. O ritmo da kalinka. Tudo no mesmo sonho. Uma cena de cada vez. Sognare, cantare, volare.

Não cante agora – a fada lilás está fazendo pirouettes.

Pas seul – Giselle está dançando no primeiro ato. De novo. Tudo no mesmo sonho. Uma cena de cada vez. Romeo está se vendo no espelho. Kitri está na sorveteria com Lise.

De novo. Novamente. Oberon está miando em sua casa. Sócrates está escrevendo em outra casa – a casa de Sócrates. Oberon e Nikiya são irmãos – Titânia é namorada de Nikiya. Já não sabemos?

Chá ou café? É hora de acordar. Sócrates mia. Sócrates ronrona. Sócrates quer cookies ou chocolate extra-cremoso. Mas não pode – só pode ganhar ração. E ponto final.

(Reticências)

... Ho letto quel libro che mia madre mi aveva prestato. Quello che parlava di una principessa...

Sto ancora sognando... Sognare, cantare, volare.

Liz Christine

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Cenas paralelas




La luna e le stelle che scendono le scale tutti i giorni.
            Le scale del cielo che i sogni scrivono.
                       I sogni nei tuoi occhi.

Stava cercando la prossima musica. “Ma no, questa no” – pensa Sòcrates. “Una musica per ispirarmi. Forse Pomp and circumstance, March n°1, di Edward Elgar o Lakmé di Léo Delibes…  Certamente Pomp and circumstance, March n°1 sarebbe perfetta adesso…”

O início da tarde, o cair da tarde, e nenhuma palavra. O café diário, a segunda xícara no cair da tarde, a primeira xícara pela manhã, e nenhuma palavra. Duas semanas e nenhuma palavra. Sócrates continuou sonhando e consumindo ração da Farmina, continuou observando o mundo à distância, continuou miando pouco ou muito, continuou olhando a lua através da rede de proteção nas janelas, continuou assistindo aos balés no computador, mas durante duas semanas fugiu de toda e qualquer conversa – tirou férias de palavras, faladas ou escritas. Nada escreveu, nada leu, a ninguém deu ouvidos – apenas sonhou e ouviu músicas instrumentais. Pensou em ouvir Lakmè mas desistiu, apesar de adorá-la com paixão. Ouviu outras músicas então. E nada escreveu. Estava sonhando com Greta Garbo...

Nikiya e Titânia se encontraram com frequência. Bastet e Cristina continuaram juntas. As unhas de Pamina foram cortadas à sua revelia. E Marie Taglioni, como Sócrates, também sonhou. Mas sonhou que estava na Espanha com sua família. A lua tudo viu e suspirou...

Liz Christine

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Greta Garbo




_ Sou eu – diz a gata olhando a pasta de fotos de sua humana no computador.
_ E essa humana de cabelos vermelhos, quem é? – pergunta Sócrates.
_ Não é uma humana, é uma fada, não está vendo as asas? – diz a gata.
_ Não... Estou vendo as tatuagens, não as asas... – responde Sócrates.
_ Você não enxerga as asas porque não quer vê-las, é uma fada, estou dizendo... Ela vem sempre aqui, é amiga da minha humana, eu a conheço... – insiste a gata.
_ Amiga ou namorada? As minhas donas têm uma relação afetiva e amorosa entre si... – comenta Sòcrates.
_ Que linguagem é essa? Você as nomeia “suas donas”? Felinos não têm donos ou donas, eu li uma matéria que chamava os humanos que convivem com gatos de “catlovers”... – responde a gata.
_ As palavras não fazem tanta diferença assim, e aliás, não são apenas humanos ou humanas que convivem com felinos, podem ser babuskas e matrioskas também... – diz Sòcrates. E completa – Não importa como são chamadas ou como se auto-denominam, elas me adoram de qualquer maneira...
_ As palavras fazem toda a diferença... Você que escreve deveria saber disto... – diz a gata.
_ Eu sei disso mas isso não afeta meu cotidiano tanto assim, além do mais, estou com fome... O que sua humana tem de bom na geladeira? Você sabe abrir a geladeira da sua casa? – pergunta Sòcrates.
_ Sei, claro... Acho que temos queijos italianos e pasta de soja hoje, você gosta? Tem também iogurte grego e um pouco de ravioli que sobrou de ontem... – diz a gata.

Tutto rosso: gli stivali, lo smalto Chanel (numero otto), il rossetto Dior e i capelli della fata. La vita in rosso. La vie en rose. Rosa è il colore dei sogni. Il tutu della ballerina è rosa. I sogni sono rosa. I sogni allo specchio dove la gatta si guarda. Ieri il gatto l’ha incontrata e hanno visto insieme le foto al computer dell’umana che abita con la gatta. Oggi è venerdì e il gatto scrive un messaggio:

“Ci vediamo alle otto e mezza... Prendiamo un cappuccino insieme? Un bacio.”

Forse questa notte la gatta sognerà con la ballerina che ha visto al computer. La sua umana è amica di una fata che ama il colore rosso. Le due amiche si vedono due o tre volte alla settimana o tutti i giorni. Il gatto ha gli occhi chiari. Sòcrates, certamente. Probabilmente Sòcrates verrà con sua sorella stasera. Alle otto di sera circa. Venti e mezza. Sì, Sòcrates verrà stasera ma non gli piace uscire da solo. Quindi, verranno una delle sue padrone e la sua sorellina con lui... Quella che ha i capelli lunghi e neri è la sua padrona preferita e lo accompagna stasera. Chi è la gatta che Sòcrates ha visto ieri e vedrà oggi?

Liz Christine

domingo, 12 de outubro de 2014

Dodici ottobre




Preguiça. Quando me faltam idéias, leio as anotações de Ella ou de minha irmã. Tento ver o mundo através dos olhos de Bastet ou de Cristina. Ella anota sonhos mas não faz literatura. Minha irmã sim o faz. Literatura felina. Anch’io. Neanch’io. Nem sempre mostro o que escrevo – quase nunca o faço – mas as felinas sempre encontram um meio de ler todos os escritos. Leggo per prendere l’ispirazione. I sogni delle mie amiche. E não me agrada escrever na primeira pessoa do singular. Eu, io – tu, lei, noi, voi, loro. Noi gatti, voi matrioske... Preguiça. Hoje não quero escrever... vou rever um balé e jantar um carpaccio de salmão... Hoje é dia dos(as) gatos(as) – todos os dias o são...

(fragmento das anotações de Sócrates)

Liz Christine

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Il libro di Sòcrates




Às onze e meia da noite o gato está descansando. Às duas da madrugada ele se levanta e escreve em seu caderno de anotações. Escreve apenas cinco palavras e depois digita em seu computador. Completa o rascunho com mais três frases e tenta ver o céu noturno através da rede de proteção da janela. É lua crescente, ele o sabe, mas não consegue vê-la através da janela com rede. Então ele finaliza seu rascunho com as três últimas linhas. Eis aqui o texto do gato (em italiano(-:

La solitudine. Il silenzio.

Il mare, il fiore rosso, un pacchetto di sigarette.

Non ne fumare, non le parlare – lei non capirebbe (...).

Non vorrei spiegarle che ho sognato che volavo (- :

/-: ,.. Una farfalla o una gatta cacciatrice o una ballerina...

Un gatto cacciatore giocando con la solitudine di un libro –

Il libro che io scriverò in silenzio mentre guardo i suoi occhi ;-)

Annelino al naso e dieci tatuaggi – ho disegnato una fata...

(-;)e scrivo per lei adesso)

Liz Christine

domingo, 7 de setembro de 2014

Gatos preguiçosos (gatti pigri)




Estamos todos preguiçosos após brincarmos com catnip. Escuto uma breve conversa sem prestar muita atenção porque estou me lavando meticulosamente e demoradamente. As babuskas estão vendo um filme – enquanto nós estamos todos preguiçosos. Escuto outro breve diálogo felino mas desta vez distinguindo bem as palavras miadas...

“Che stai leggendo?” – domanda la sorella di Sòcrates.
“È una biografia di Gertrude Stein e Alice B. Toklas, scritta da Diana Souhami.” – Sòcrates le risponde e domanda anche: “E tu, scriverai quel racconto su una fata che si è fatta suora?”
“Non lo so... Il mio racconto cominciava così: una fata si è fatta suora, l’altra fata sta imparando l’italiano... – sua sorella gli risponde e domanda: “Che pensi? Ma ho scritto solo l’inizio, vorresti leggerlo?”
“Meglio fare silenzio adesso, gli umani stanno arrivando...” – dice Sòcrates, sentindo i rumori.

Sócrates está desconfiado, penso eu, ou o barulho vem de apartamentos vizinhos ou da rua, pois hoje sei que não teremos visitas humanas. Hoje é um dia normal, como tantos outros, apenas ganhamos catnip e estamos ouvindo o filme sem assisti-lo realmente. Sócrates é quem mais gosta de assistir filmes ou balés. Mas ele está quieto em um canto, conversando discretamente com sua irmã. Eu, Marie Taglioni, gosto do aroma dos livros e de ler os trechos que são sublinhados pelas proprietárias dos livros. Sou curiosa sim, e isso me diverte porque elas têm essa mania. Sublinham frases e eu vejo tudo. Alguns de nós são adotados por fadas, outros(as) por babuskas e matrioskas, outras(os) por humanos(as) com coração felino ou não – e alguns de nós convivem com outras espécies. Triste seria ser adotado(a) por alguém que não compreende felinos e outras espécies afetuosas e únicas. Temos manias específicas, como por exemplo os banhos meticulosos ou deitar em livros. Sei que Sócrates às vezes mia às três ou quatro da madrugada, e muitos felinos o fazem. Mas, felizmente, nós deste pequeno núcleo de amizades e parentes felinos fomos muito bem adotados. Todos nós. E continuamos preguiçosos hoje...

Liz Christine


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Felinos




Felinos domesticados não falam (como humanos) mas compreendem bem a linguagem humana. Conversam entre si e até cantam (alguns felinos apreciam música) através de doces miados. Acho até que há os que reconhecem datas e espreitam a despensa ou geladeira. Há os que gostam de iogurte e queijo (sim, há felinos que gostam de queijo). E existem também os que adoram chocolate. Nada disso é indicado para gatos. Eles bem o sabem. Mas não resistem.

“La dieta sbagliata e gustosa per umani... Hai già visto la torta di cioccolato?” – domanda una gatta amica.
“Sì, l’ho già leccata...” – risponde Pamina.

Sócrates hoje foi apresentado às irmãs de Pamina. Elas se chamam Adina e Liù.

“Ho visto due opere che mi sono piaciute...” – dice una.
“Erano Lelisir damore e Turandot...” – dice l’altra.
“La nostra umana ci ha spiegato che ha scelto i nostri nomi perché le piacciono queste opere. Piacere, siamo Adina e Liù...” – dicono le due gatte.
Sòcrates ascolta la loro presentazione mentre beve un bicchiere di acqua.

As duas babuskas assistem ao balé Marco Spada antes do jantar. E Sócrates aguarda a sobremesa. É aniversário de um parente humano. Haverá um jantar. Mas Sócrates está preguiçoso. Está no colo ouvindo a música do balé e de vez em quando espia alguma cena. A coreografia lhe agrada. Não quer espiar a geladeira com as outras gatas amigas. Hoje Sócrates se sente mais tranquilo e talvez não se esconda das visitas, como de costume. Depende dos tons de vozes e de diversos fatores. Tudo depende, tudo varia, tudo se mistura – e o essencial permanece no pacato cotidiano de Sócrates.

“(...) prosperava na estabilidade (...). Não via com bons olhos o caos entrando em sua vida (...).” (um trecho do livro Um gato de rua chamado Bob do autor James Bowen)

Sócrates leu este livro mas sabe que ele próprio não é um gato de rua – ele próprio é um gato muito caseiro, ao contrário de outras(os) conhecidas(os). Tem seus momentos de correria e brincadeira também e, além disso, não é um gato previsível. Nenhum felino é tão previsível quanto poderia parecer. Nenhum – apesar das manias que obviamente cultivam diariamente...

Liz Christine