quinta-feira, 15 de julho de 2010

Blue moon


Uma breve sensação de perda (…).

Um silêncio guloso se esconde atrás da porta do quarto trancado (...).

A lua reina no teto e as idéias todas fugiram quando te vi – )

Continuei movimentando minha sede enquanto meus pés dançavam à procura de palavras coerentes mas a insensatez daquele instante se desenhava ao sabor de ondas cíclicas ;-

Procurei um espelho para reencontrar então as idéias que haviam fugido todas mas a luz era escassa e o banheiro flutuava entre beijos e nuvens carregadas de silêncios famintos (...).

Eu quis beber teus olhares doces e fixar teus abraços em minha memória enquanto o mar me convidava a voar em direções incertas ;-

Impulsivamente eu te convidei a entrar no meu quarto e você veio com três rosas embrulhadas, uma de cada cor, mais um copo descartável de café nas mãos –

Eu te mostrei minha coleção de livros e acendi um cigarro depois de ter te contado que estava parando de fumar de novo (...).

A música transbordava cores e a lua que reinava no teto ficou lentamente cheia (...).

Liz Christine

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Apenas


Só uma frase:
_ Um café e toda a ausência (...).

Só uma cor:
_ Quando fecho os olhos vejo vermelho-escuro e adivinho o mundo escondindo sob sonhos desavisados e cintilantes.

Só uma cena:
_ Uma casa coberta de neve e no interior desta casa um casal se beija. A imagem não é nítida e os gêneros igualmente não são nada nítidos mas depois de alguns segundos sem foco percebe-se que são duas mulheres se beijando na boca.

Apenas uma pergunta:
_ Quantas borboletas a gata branca tem em seu quarto cor-de-rosa para brincar de caçadora?

E uma idéia:
_ Vou sair por aí em busca da lua que fugiu do chuveiro enquanto eu lavava meus cachos (...). Quando encontrá-la vou escrever um poema e entregar meu poema para o amor que nunca existiu (...).

Uma verdade:
_ Sou mais branca que os bigodes da gata rajada e mais doce que o mel que escorre das estrelas. E reescrevo um mundo que se reconstrói a cada noite. Um mundo feito de perguntas, cores, frases, cenas, idéias e verdades.

Uma fantasia sexual:
_ Amor eterno. As fantasias sexuais mais banais que já tive realizei todas. Algumas desisti antes de realizar quando senti intuitivamente que eram inúteis e dispensáveis. Fantasiar faz bem mas é preciso decidir o que vale a pena tentar e o que não vale nada. Cada um sabe de si e nem tudo seria igualmente bom para todos.

Uma dúvida:
_ Sou capaz de amar um ser humano? Talvez eu ame apenas bichinhos de estimação tão cheios de afeto e pureza no olhar. Só acredito em amor doce que às vezes pode nos preocupar mas é feito de alegrias e prazeres e não de sofrimento. Amar um bichinho de estimação é doce e puro. Amar um ser humano pode ser doentio. Um sentimento que só causa angústia e mal estar é doença e não amor. Quando vejo um bichinho de estimação fico feliz e quando uma gata ronrona me sinto tão bem por ela estar ronronando que me pergunto: por que diabos seres humanos não provocam este grau de felicidade em mim?

Uma descoberta:
_ Sou pacifista. Mas auto-defesa não é o mesmo que atacar, e o mundo é agressivo. Gostaria que a paz mundial e a paz entre pessoas ou entre pessoas e animais fosse uma realidade.

Só mais uma coisa:
_ Amo escrever e também amo ler livros diversos e variados. Amo todos os tipos de bichinhos de estimação. Amo cinema e música e não me prendo à gêneros. Amo chocolate branco e trufas. Amo café ou capuccino. Amo comida japonesa ou saladas quando são bem feitas. Amo sexo entre mulheres e penso também em lados que desconheço. Sim, desconheço alguns lados das questões e ainda assim amo a imaginação e a criatividade e arte em coisas simples. Amo o inverno e amo roupas de frio. Amo o mar e amo tomar banhos longos e quentes. Só não sei mesmo se poderia te amar como você gostaria (...).

Liz Christine

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sob as nuvens do teto


Sempre bebo mais um café antes de contar às nuvens que amo o mar escondido dentro de uma caixinha vermelha que guarda um diamante, e assim eu danço agarrada à uma estrela degustando determinadas nuances de um semi-despertar ao lado dela (...). Minha estrela esverdeada fuma cigarros sob as nuvens que vivem no teto do meu quartinho que muda de cor no ritmo das frases que brotam de um travesseiro ocupado por um tal abraço que convida a grama a me beijar (...). É, quando a fada que passeia naquela grama me beijar eu vou acordar cantarolando I put a spell on you, e então (...). Sempre ouço essa música enquanto penso em ti, mon amour, e então vem logo me abraçar sob as nuvens que vivem no teto do meu quartinho (...).

Liz Christine

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Atos


De dentro da minha concha observo tranquila certos movimentos obtusos de águas tão duvidosas que me acomodo em um ninho de silêncio vaporoso que poderia mais tarde – ou a qualquer momento, não? – ser convertido em palavras tolas. Tentando decifrar os inexplicáveis movimentos obtusos de águas duvidosas? Não. De dentro da minha concha eu me deixo estar e deixo também de me interessar por aquelas ali que me encontram por aí enquanto busco sentidos submersos em tragadas breves e inconstantes alternadas com olhares desinteressados porém atentos (ou não?). Onde tudo são perguntas eu ainda encontro uma verdade – te quero ainda e sempre (…). E não desejo mais agora aquelas ali de onde vêm perguntas e afirmações duvidosas – de dentro da minha concha canto suavemente e sussurro frases incompletas alternadas com desenhos que se enroscam em meu colo e seios nus te convidando a vir logo. E sei que sim. Os desenhos feitos com mel e baunilha em flocos se misturam às palavras formando então um quadro em movimento, e sei que sim – meus movimentos leves, de dentro da minha concha, afastam os movimentos tão obtusos vindos lá de fora justamente para te encontrar mais uma vez por aqui. Sei o quanto tu quer embaralhar os desenhos tão simétricos antes da tua visita que dura o instante de um mergulho em profundidades mais sombreadas. É a tua voz sombreada então que ouço certas noites em que vagueio nadando à procura de um chão azul (…). Ou seriam fadas que eu busco? No fundo da minha concha, aninhada em silêncios vaporosos, eu me enrosco em outra verdade: em cada verdade há tantos muitos lados que fica tão difícil absorver por completo o instante mais que perfeito em que me encontro onde quero (sim, é possível). Mas absorvo ainda assim por completo cada instante e cada verdade parcial e mais uma coisa: sei de forma sensorial o quanto é possível então isso que palavra alguma poderia explicar (…). Atrações efêmeras ou profundas ou reais ou inventadas ou imaginadas ou vivenciadas ou aceitas com certo tédio até ou desejadas – tudo são atos (…).

Liz Christine

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Lua indecisa


Cantando a lua que sorri indecisa (…).

Não sabe se deixa uma lágrima breve correr solta ou se espera lá no alto de sua torre parcialmente recoberta de flocos de neve e tempestades que em nada modificam sua essência –

Não sabe se corrige o indizível amor nada plausível ou se sonha um pedaço de poema sublime (…):

É que as estrelas andam às voltas com frases circulares que se complementam ou se contradizem, sempre o encaixe espiralado e esfumaçado –

E adormeço encantada por uma idéia tão tola que abstraio em essência o indizível e nada sublime desejo:

Desejo desaparecer do teu caminho para cantar a lua que sorri indecisa (…).

Não sei se te esqueço ou se volto atrás e te dou o mundo confinado em uma caixinha de música que guarda jóias das mais preciosas coleções que moram em meu armário,

Também não sei se desisto ou se insisto em um tolo desejo de satisfazer fantasias precárias acerca de amores sublimes e parcialmente eternos:)

(É que de tanto miar, a gata enlouqueceu os vizinhos.)

Miados parcialmente sutis de tamanha doçura encobrindo o indizível silêncio da lua (…).

E as estrelas tropeçam no mais sublime desejo eterno que invade a alta madrugada –

O desejo de dançar abraçada ao mar sentindo toda a doçura da suave liberdade sempre dividida em duas metades nuas em essência (…).

Liz Christine

Mon amour


Neve sob silêncios pausadamente entrecortados cobrindo a lua gelada (…). Sobre um meio-sorriso, tenho algo a dizer: não acredite ainda, por enquanto, não agora. É que a fala suave encobre apenas por alguns instantes uma vontade de lapidar pedras (...). E um rio correndo em direção oposta vem me dizer algo inaudível sob silêncios pausadamente entrecortados com suavidade quase transparente e lúcida. Qualquer coisa sobre estrelas, e então, mon amour, qualquer coisa sobre palavras sob silêncios sorrindo meio desnorteadas e impulsivamente quietas. Tão quietas que ouço agora tua agitação me falando compulsivamente sobre a neve partindo um meio-sorriso. Uma fatia repartida em três, e então, mais uma vez agora, a maior parte da cobertura do bolo vai para mon amour (...) – mas não se esqueça nunca que a neve habita um meio-sorriso entrecortado que mora dentro do meu silêncio (...).

Liz Christine

quinta-feira, 10 de junho de 2010

In my solitude


Uma vaga sensação de inquietude indiferente (...). Livros sobre a estante desarrumada – silêncio encoberto delineando um rosto distante. Ausência após uma longa pausa (...). Um colchão feito de névoa e espuma de sabonete líquido – não gosto de um detalhe. Vejo teu mundo através de detalhes muito breves após uma longa pausa sentindo uma vaga sensação de tranquilidade consumida pela névoa – fujo pela janela do banheiro e acendo mais um cigarro esperando (...).

(...) – que a minha indiferença se dissolva em água quente, e então, quem sabe? Mergulhando por breves instantes de intensidade compartilhada e me ausentando logo depois dentro da minha própria indiferença às vezes inquieta, outras calma, tão calma que conto todas as cores da música lá longe. (Tão longe que me esqueço por vezes de destacar um trecho perdido entre a névoa e a espuma de sabonete líquido.) Mais uma vezes me responde:

O prazer rápido e verdadeiro e a ausência nos instantes seguintes – quando vou encontrar algo diferente do usual?

Não há exigência que me prenda (...). Posso discordar daqui a um minuto apenas, mas agora não há amor algum dentro de mim, e sabe? Não quero ser insincera. Tome minha atenção por breves instantes verdadeiros e depois me deixe quieta quando eu fugir.

Não ouse roubar a minha solidão, se não fores capaz de me fazer real companhia...” Nietzsche

Liz Christine

domingo, 6 de junho de 2010

Dans le bleu de toute l'immensité


Permanecer (quieta) – imóvel sobre a neve que amacia minhas verdades volúveis: instransigente (...). Intransigente sim (é teu silêncio permanente). Permaneço (deitada sobre a neve que cobre a maior fatia). A neve invade cada palavra para se derreter depois em um colo tranquilo que cobre meus silêncios. Meus silêncios são feitos de mel e café – e os teus, feitos de quê? Gostaria de saber então. Gostaria de saber mais sobre todas as coisas mais (mas permaneço). Quieta. A curiosidade incerta reencontra uma fatia volúvel do meu quadril (ou seria coração?). Nunca sei onde escondi as chaves, mon amour (...). Mas sei onde me encontro agora – deitada sobre a neve embaixo da cama. É que o chão flutua quando sussurro ou cantarolo suavemente (minha voz se enrosca em espirais de fumaça ao redor de um quadro que cai lá de cima do armário). As paredes foram pintadas recentemente e a borboleta sorriu para a cor dos teus olhos. Então a neve se desfez por um instante de puro e insone encantamento, e depois eu dormi abraçada à lua que reescreve constantemente seus próprios passos – e o mel misturado ao café suspirou calmamente (...). Um silêncio breve repleto de intransigências (...). Não aceito tuas intransigências, pois sou também intransigente. Não aceito nunca nenhumas exigências, pois sou também suave liberté – e não aceito também o vazio que sinto às vezes quando tudo o mais parece nada mais que nada (...). Sabes quando tudo o mais perde a cor e o sabor? São meus instantes de vazio. Mas tenho também instantes de puro encantamento (mergulhos que se dissolvem depois). Meu coração é calmo e inquieto. Então permaneço, depois mudo, depois retorno, depois me escondo, depois mergulho, depois sonho, depois descanso – e vivo cada mudança que mora em minha essência buscando não sei bem o quê (...). Tant qu'mon corps frémira sous tes mains (...).

Liz Christine