segunda-feira, 2 de março de 2020

Alle cinque



A salamandra foi devidamente diagnosticada e saiu descontente do consultório, pois não confiava em psiquiatras. Então ela entrou na livraria e seu humor mudou completamente. Sentiu-se satisfeita ao encontrar um livro de uma poetisa polonesa. Não sabia se devia comprá-lo. Ela gostava de Shakespeare mas já tinha a coleção completa de teatro. Folheou os sonetos de Shakespeare e não os apreciou. A salamandra se lembrou da consulta da qual havia acabado de sair e seu humor ficou nebuloso mas felizmente o som da livraria estava agradável e chamou sua atenção (mudando seu humor novamente). Ela se alegrou com a música, era alguma outra versão de La vie en rose. Ela resolveu procurar autores russos. Comprou um livro e foi tomar um cappuccino. Viu uma gata sentada na cafeteria com uma xícara de cappuccino e lendo um livro. E viu também um pato comprando bombons. E então ela se lembrou de um blog que havia visto há poucos dias. Era o blog do Sócrates (ou Socrate). Ela tinha visto o livro que havia comprado no blog do Sócrates.

Sócrates está em casa lanchando um patê para gatos. Sócrates ganhou uma nova almofadinha para dormir. Depois da refeição vespertina, ele pula na cama de suas tutoras pensando em descansar. Está chovendo um pouco. O barulho suave da chuva é reconfortante para Sócrates. Apenas as tempestades o assustavam um pouco quando ele era meio filhote, mas da chuva ele gosta. Sócrates olha ao redor e tudo parece estar em ordem. Então ele adormece.

Liz Christine

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Les livres



As frases tecidas em sonhos

Desorganizadas Afetuosas

      Ternas Profundas

Difícil desembaraçá-las

  Sim, já as organizei.

Lizavieta me trouxe um livro ontem à tarde.

Lizavieta, Elizavieta, Liza.

Sim, já as organizei.

Difícil desembaraçá-las.

As frases tecidas em sonhos

Desorganizadas Afetuosas

(Livres.)

Liz Christine

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Não são necessárias explicações



Retornei à Itália, visitei Piacenza pela terceira vez, flanei da primeira até a última página. A música me obcecava, a poesia se esticava ao meu redor, o gato e as duas gatas ronronavam, eu lia e relia, e sonhava, e revivia, olhava, ouvia e guardava minhas impressões que depois eu recolhia e saboreava na privacidade de um café feito em casa às seis da tarde.

Hoje eu vi. Vi que, neste caso, não são necessárias explicações. As borboletas já compreenderam, e eu fui dormir. E dormi bem. E acordei tranquila e fiz exercícios. Mas não desisti. A poesia se esticava ao meu redor e a música me obcecava. Minhas matrioskas sorridentes disseram: “vá, fale!”. Mas me afastei timidamente e fiz mais café.

(Hoje eu vi. Vi que, neste caso, não são necessárias explicações.)

Liz Christine