quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Allegro con spirito



Je veux me taire jusqu’à ce que je puisse être comprise.” - elle leur a dit.
Et puis, elle est sortie. Les oiseaux ont chanté dans le jardin.
 Et le château a été fermé aux visiteurs.
Et puis, la sauveuse est arrivée. Et les oiseaux ont chanté à nouveau.
           
Sócrates (ou Socrate) relê duas vezes seu rascunho. E se pergunta: “Por que eu publicaria este rascunho?”. Mas Colette o encontra e decide publicá-lo.

Outra página das anotações de Socrate (ou Sócrates). Uma frase anotada de um livro de Shakespeare:

Eu e meu coração ainda precisamos ter uma conversa, e para isso não quero outra companhia.”(Henrique V, Shakespeare)

Colette encontrou também um poema inspirado em Greta Garbo, mas resolveu deixar para publicá-lo em alguma outra ocasião (...).

Liz Christine

domingo, 2 de dezembro de 2018

Librement inspirée - Adage




Sócrates gostaria de ler apenas poesias.

São as fases da Lua pressentindo (...).
       Pressentindo o quê?
Elas não respondem com clareza.

          Inspirar-se em.
É a época dos textos breves.

Greta Garbo e Colette disseram: “Gostaríamos de ouvir música”.
Sócrates disse: “Gostaria de ler apenas poesias”.

E as vontades felinas foram devidamente atendidas.
E assim os três sossegaram.

(Mas não a Lua e suas fases, estas nada sossegaram, pois estavam ocupadas em processar Sarastro.)

Liz Christine

sábado, 3 de novembro de 2018

Plantações de lavanda



Os perfumes se misturavam e o vento trazia presentes

Os presentes eram a música (que traduziria os silêncios que encobriam as pausas ronronantes onde poemas eram colhidos nas plantações de lavanda) e o mel (que dispensava as explicações enquanto ouvia a música).

Ela não sabia o que dizer. Os dias eram confusos. Então ela abriu o livro e leu. Leu o olhar da coruja e a voz da raposa. Leu o descanso do gato e a meditação da outra gata. Leu as contradições e os sentidos detalhados no prefácio. Leu as paredes e o sorvete. E saiu para fazer uma caminhada.

Liz Christine

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Allegro giusto



Repetiremos. As palavras impensadas se dissolvem nas xícaras de chá. Silêncio. E ouvia-se uma música meio distante que vinha aos poucos se aproximando. Sublinhei uma frase do livro, anotei qual era a página para retornar depois, continuei lendo, avancei algumas páginas, e então fiz uma pausa e deixei o marcador de livros onde parei. A música que vinha se aproximando parecia se afastar cada vez mais e já estava então novamente distante. E então perguntei a ela: “Repetiremos o quê?”(...). E ela me respondeu: “O tiramisù.”(...).

As palavras impensadas se dissolvem nas xícaras de chá.

Quando cheguei em casa, fiz uma salada e jantamos. Socrate e Colette jantaram patê para gatos adultos. Fiz mais chá. E tentei procurar a música que eu tinha ouvido. Distante. Mas não a encontrei, nem ela se parecia com nenhuma que eu conhecesse.

E então ouvimos Grand pas classique. E depois, um Pizzicato (do ballet Raymonda).

Liz Christine