domingo, 2 de setembro de 2018

Creme de morangos



A liberdade já se foi sem jamais ter visto seu próprio reflexo

Quando a capturaram em uma foto, ela voou e sobrevoou, e retornou e se foi sem nada dizer.

E então a falta de nexo choveu sobre a grama (...)

E as borboletas pousaram nas flores .........

A febre recebeu tratamento contra a depressão cotidiana -------

O cotidiano trouxe o equilíbrio, e o equilíbrio conversou longamente com a falta de nexo.

As borboletas trouxeram o creme de morangos que recheou os sonhos .........

E os sonhos foram consumidos durante as pausas para o café do final da tarde.

        As borboletas conhecem a liberdade.

       A liberdade não se vê em reflexos.

            A gata se olha no espelho.

       O espelho não se reconhece.

A falta de nexo choveu e depois se recolheu.

E as flores são cortesia do equilíbrio (...).


Liz Christine

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Les divertissements du troisième acte



Les divertissements du troisième acte.

Si dice que questa sceneggiatura sia inverosimile.

Quei racconti le fanno ricordare una canzone.

        Vi sembrano sbagliati?

Scusami se sbaglio le parole. Scusami se sbaglio le coniugazioni dei verbi. Scusami se non so raccontare le mie idee.

Les chats se sont tus. Les chats m’ont demandé - “pourquoi?” -

“Pourquoi tu as écrit les divertissements du troisième acte?”

Porque este é o poema da ausência. E aquele é o poema do erro. E nenhum parece um poema. Mas o silêncio é poesia. E o gato é música. E a sílfide parece irreal. Parece irreal mas não o é. Eu a vejo sempre dentro de alguns silêncios e alheia a todas as realidades.

Morangos e mel. A gata ronrona. Café e croissant. O gato dorminhoco acorda.


Liz Christine

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Dança das horas





As águas, os mares, a cachoeira, e Lili Marlene não sabe o que fazer. Ela tem um irmão que se chama Dannyboy. E ambos moram com a mãe, uma bela gata bastante dócil chamada Pórcia, e seus humanos. Lili Marlene observa a discussão entre seu irmão e sua mãe, e não consegue pensar em nada. Ela queria se inspirar nas águas, nos mares, em qualquer outra coisa, nem ela mesma sabia o que pretendia escrever para Socrate (ou Sócrates). Greta Garbo, a companhia felina favorita de Socrate, foi quem o apresentou à Lili Marlene. E Sócrates contou que ele e Colette gostavam muito de escrever. Greta Garbo já havia contado à Lili Marlene que Sócrates tinha uma irmã não-biológica chamada Colette e que estes, Colette e Socrate, eram suas companhias felinas preferidas. Lili Marlene nunca escreveu um texto antes. E não sabe se conseguiria fazê-lo. Sua mãe e seu irmão continuam discutindo, e ela nem sabe o motivo da briga. Ela então desiste de tentar escrever e larga o notebook.

Por que humanos escrevem? Por que gatos também escrevem? “Humanos, quando lêem o que felinos escrevem, dizem que são um amontoado de letras ininteligíveis, coisas sem sentido, bagunças de gatos...” - Sócrates contou à Lili Marlene. “Mas as minhas donas lêem, sabia?” - ele falou. “E se eu conseguir escrever também, elas poderiam ler?” - Lili Marlene perguntou  a Socrate. Mas uma das donas de Socrate pegou o celular antes que ele pudesse responder. E então Socrate foi dormir um pouco. Deitou no travesseiro e começou a sonhar. Colette estava tomando banho. E Sócrates ronronou enquanto dormia.

Liz Christine