domingo, 4 de novembro de 2012

Laisse le temps




Peixes nadando alegremente em águas doces. Gatas observando tranquilamente as rosas falantes. Uma breve pausa no diálogo das rosas falantes. E o dia amanhece chuvoso. As camélias beijam a babuska de vestido vermelho que procura a outra babuska de longos cabelos negros e franja curta. O gato Lensky folheia um livro enquanto seu cappuccino esfria às seis e meia da tarde – e o tempo transcorre suavemente dentro do quarto onde vivem as duas babuskas com suas gatas cautelosamente curiosas.

Uma babuska é escritora, a outra é jornalista e trabalha com produção de eventos – e o gato Lensky fecha o livro e bebe o cappuccino ouvindo pedaços de conversas ao seu redor.

O tempo transcorre suavemente – sábado à meia-noite os peixes continuam nadando alegremente em águas doces. A cafeteria fechou há meia hora atrás. E as rosas falantes ficam em silêncio por alguns instantes enquanto ouvem atentamente a música Blueberry hill. Uma das camélias é psicóloga e dorme cedo todas as noites – ela sonha com filmes sem palavras, imagens sem diálogos, cenas soltas e ligeiramente indefinidas que se fundem com memórias alternadas de tudo que foi ouvido durante o dia.

A temperatura cai de madrugada – e a tranquilidade das estrelas ameniza os humores temperamentais da lua sempre distante das reais inclinações do mar.

Liz Christine

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Um conto de fadas




A fada lilás colhendo mirtilos na floresta mais fria do reino – as palavras se repetiam transtornantes durante o mergulho em intransigências salgadas... Lágrimas cíclicas e suspiros circulares envolvem o silêncio gestual da rainha Myrtha – mude o rumo da conversa.

Conversa interditada na beira do rio congelado – a gata farejou sombras. Sombras destituídas de racionalidade – sombras tão brutas quanto os movimentos pesados da coelha gorda e bêbada caindo das escadas que levam ao quarto mais cobiçado do castelo. Castelo de paredes transparentes e ouvidos apurados – proteja todos os acessos aos quartos.

Tranque qualquer janela aleatória – tranque vozes e sorrisos ou expressões faciais ou portas e entradas. Afastem-se das escadas. E as lágrimas da rainha Myrtha retornam compulsórias enquanto a incompreensão soletra rascunhos de músicas para voz e piano. Bela Adormecida nutre uma paixão platônica pela insuportável fada lilás. Tudo está errado nessas notas musicais – recomece.

Tudo está errado neste romance inacabado – reescreva ou jamais releia. Não releia, esqueça. Tire as roupas e tente mergulhar no rio congelado – caso seja impossível, patine no gelo. Nuvens se aproximando – o gato de botas farejou a gata farejando sombras. E a gata se escondeu embaixo da cama da rainha.

Recomece, reescreva, repense, fuja, fugir ou relembrar. Fugir ou permanecer. A permanência transitória e a independência eterna. Desejos independentes se entrelaçam na neve. Em casos de dupla personalidade, nem sempre as metades se comunicam. Metades inquietas do brinquedo de pelúcia. Tranquilidade infinita e desejos recompensados – satisfações inesquecíveis.

A coelha gorda e bêbada caiu das escadas e quebrou o cálice favorito da rainha Myrtha que a mandou embora então e encontrou a gata debaixo da cama. Ela parou de chorar e foi degustar os mirtilos ofertados pela fada lilás. A insuportável fada lilás fez perguntas indelicadas e foi embora sem ouvir as respostas. E o castelo iluminado e protegido com o cair da noite fechou as portas para visitantes por tempo indeterminado. Até que a lua se restabeleça de uma súbita depressão causada pela queda na qualidade de vida das estrelas. As estrelas estão em greve agora e a lua continua esperando uma solução.

Liz Christine

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Diferenças de espécie




A gata branca Bastet comprou macarons de morango e de amêndoas na Paradis. O cisne Audrey assistiu ao balé Giselle. O gato preto Éluard acendeu um cigarro em área proibida para fumantes. E o imprevisível gato ruivo chamado Sócrates telefonou para o celular de Bastet. Bastet não atendeu o celular porque estava tomando um banho apurado e longo enquanto o cisne Audrey preparava um drink de leite desnatado com catnip do outro lado do corredor. Audrey e Bastet são vizinhas. O ronronante e imprevisível Sócrates comprou uma rosa vermelha e outra rosa branca e tocou a campainha de Bastet. Em uma lagoa mais afastada deste bairro os patos e sapos esperavam a chegada da tranquilidade zen que os livros encomendados trariam com o cair da noite. Em um lugar ainda mais afastado – muito mais afastado – havia uma cachoeira muito entediada com o barulho excessivo dos visitantes arruaceiros que plantavam palavras desordenadas ao seu redor. E as palavras cresciam e brotavam e murchavam e se entrelaçavam e se confundiam e exalavam caos – sem pausas para introspecções. A gata siamesa Cristina – namorada da Bastet – estava sonhando com um poema sobre a cachoeira que ela havia visitado há três meses atrás enquanto Bastet continuava seu longo banho e a campainha tocava. Audrey foi espionar o apartamento vizinho e suspirou chateada com a solidão constante em que vivia confinada – sem visitas, sem saídas divertidas, sem festas, sem companhia, sem romance, sem nada. Audrey era muito rica mas não confiava em ninguém e não gostava de ninguém e, inclusive, achava também que ninguém gostava dela. Audrey só gostava de balés românticos, clássicos, tecnicamente perfeitos, com grandes bailarinas, as melhores damas do balé. E gostava também de cappuccino e comida japonesa – mas isso ela tinha em comum com sua vizinha Bastet e também Éluard e Sócrates (e nem desconfiava que tinha gostos em comum com a gatalhada das redondezas, ela se achava única e solitária). Talvez Audrey fosse uma gata que nasceu cisne, sabe-se lá o motivo – ela até se divertia com catnip. Bastet viu a ligação não atendida de Sócrates quando terminou o banho e retornou – ele atendeu e disse que estava na porta da casa dela. Ela pediu dois segundos e abriu a porta – Cristina continuava em seu sono pesado no quarto principal da casa de Bastet, sonhando agora que era um cisne negro fumando erva de gato. Éluard andava meio sem rumo procurando uma cafeteria onde encontrasse espresso com licor no cardápio mas não encontrou nenhuma em Copacabana – só havia cafés alcoólicos em uma cafeteria em Ipanema e ele não estava a fim de andar tanto nem queria gastar com táxi. Éluard não tinha carro e suava para pagar todas as contas mas era muito educado e culto e escrevia muito bem, além de fazer música eletrônica também. Éluard morava bem perto de Bastet mas seu prédio era quarto e sala – muito bem arrumado apesar do pouco espaço. Éluard resolveu ligar para umas amigas-gatas e elas contaram que era aniversário de Cristina e haveria uma festa na casa de Bastet. Éluard conhecia Cristina e Bastet meio vagamente, conhecia de vista e poucas palavras trocadas, mas resolveu chegar lá com as gatas amigas. Audrey continuava espionando tudo através da porta e resolveu preparar mais um drink de leite desnatado com catnip e assistir de novo ao trecho do balé em que Giselle chegava no reino das willis (ela adorava esta parte da música e da coreografia). Audrey acabou enchendo a cara de catnip – pobre Audrey, uma gata que nasceu cisne, separada de seus semelhantes por diferenças de espécie. Não tinha nada a ver com outros cisnes – que fazer? Cristina acordou quando todas as convidadas chegaram – eram muitas e muitas gatas, de gato só havia Sócrates e Éluard. Audrey, completamente bêbada de drink de catnip, tocou a campainha na casa de Bastet. Sócrates abriu a porta, ela entrou, Bastet a cumprimentou, as convidadas se apresentaram, ninguém se importou com as diferenças de espécie, e todos ouviram música até o dia amanhecer.

Liz Christine

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Como as plantas



 
O silêncio recobre a vaidade – silêncio profundo duplicado na xícara de café...

Imagens retornam ao início de tudo dentro dos sonhos repartidos – tudo ou nada ou quase ou esqueça... Um quase despertar que foge a todo instante – sonhos repartidos e quase esquecidos retornando aos princípios desleixados – deixe estar, não se incomode, abstrair, esconder, subtrair, duplicar, repartir, mais intensa (retornam com mais intensidade)...

Mais intensa a abstração – esconda. Amores correspondidos – fuja. Nunca permaneça – apenas as exceções. Desejar apenas as exceções para todo o sempre – as regras são excessivamente vaidosas (ou talvez vazias de pressentimentos)...

Permaneça em silêncio durante três quartos do tempo volúvel – amores correspondidos em sonhos repartidos na profunda absorção de pressentimentos. A doce concisão dos sonhos repartidos – não complique mais a problemática interpretação de imagens sorrateiras que transparecem a cada gole de café. Problemas passageiros – tudo passa ou quem sabe quase nada muda tão profundamente nos intervalos da televisão (ignore, como fazem as plantas).

As plantas ignorando todos os comerciais ou séries – as plantas interessadas no balé dos peixes e fadas. Os peixes sonhando com felinas amistosas que convivem pacificamente com borboletas e mariposas flutuando ao redor do aquário. Palavras flutuam – fadas se escondem às vezes. Palavras camufladas – permaneça em silêncio durante três quartos do tempo volúvel e repita o café e o beijo. Sim, de novo – ignore as defesas eternas, como fazem as plantas.

As plantas tão pacientes e tão ardentes – as plantas queimando incensos e saboreando trufas de café ou cereja (isoladas das multidões barulhentas). As plantas indo ao mercado para comprar espinafre e brócolis – plantas degustando temakis enquanto assistem filmes de Buñuel.

Plantas comprando areia de gato e ração – enquanto a fada mais indecisa do esconderijo chama sua gata Titânia para visitar as plantas... Sim, as fadas vivem às vezes em esconderijos – só às vezes (assim como fazem as plantas).

Liz Christine

sábado, 8 de setembro de 2012

Sutilezas ou extremos




Apenas a língua – é assim a ideal – a língua ideal das borboletas surrealistas sussurrando doces fantasias perfeitas em francês ou em qualquer outra – língua – frases entrecortadas e reticências (...) – sentidos entre parênteses ou camuflados em reticências – procurar sempre...

Procurar a todo instante – a língua ideal – a fantasia concretizada – borboletas surrealistas ou gatas de raças não definidas – não definir – apreciar – superar – superar transtornos – o transtorno que é (...) –

O transtorno que é não te encontrar mais – a quase perfeição em formas de fada – a língua ideal com sotaques afrancesados – você ou qualquer outra – nada mais me serve agora (...) – agora que a tristeza se apodera...

A tristeza do amor impossível se apodera de cada instante de extrema solidão – a solidão das incompreensões indefinidas – não sei mais muito bem – je ne sais pas – não sei mais muito bem se quero esta ou aquela...

Esta suave e aquela intensa – esta doce e sutil e aquela chegada aos extremos da paixão decorada com contradições – esta tranquila e constante e aquela imprevisível e alucinógena – aquela surrealista e esta compreensível – a que me tranquiliza e conforta ou a que me acorda e provoca o que de pior há em mim...

O que de pior há em mim – os extremos da contradição açucarada – sentimentos dúbios – dúvidas salpicadas com indiferença – vinganças suaves ou quase suicidas – não se transtorne com extremos – não acredite em vinganças fantasiadas em silêncio – nada é real...

Nada é real exceto os prazeres – a língua perfeita das borboletas surrealistas ou gatas notívagas – tão insones quanto a lua – a lua solitária que perdeu sua amante favorita (por pura vingança)...

Não acredite em vinganças parciais – sentimentos doces – a doçura guardada em esconderijos inacessíveis – as partes mais fragilizadas quase sempre camufladas – mostre o pior lado às vezes – defenda-se – defenda-se de sentimentos doces e suaves perfumados com J’adore...

Defenda-se do romantismo maldito ou adorável – maldito ou adorável? Je ne sais pas – tudo depende...

Depende de você ou de qualquer outra – não depende de mais ninguém – nada mais me serve – acabou – acabou – acabou – minha favorita foi-se – só servia esta ou aquela – esta que escuta Edith Piaf ou aquela que ouve Tricky...

Esta que sonha e aquela que vive cada instante – esta que idealiza amores e aquela que vive o presente sem se incomodar com amanhãs – Laisse le temps, oublie demain –
Oublie tout ne pense plus à rien – esta suave e aquela intensa – as duas se repetem em sonhos ou memórias...

Amores dúbios – dividida entre sonhos e memórias – que venha a próxima – a próxima xícara de chá – também serve café – chá ou café ou nada – nada mais me serve – acabaram-se os amores lésbicos – que venha a próxima – que não me apareça mais ninguém – je ne sais pas – oblie tout – esquecer nunca mais – esquecer nenhum sonho, esquecer nenhuma realidade, esquecer nenhuma língua com sotaque afrancesado ou

Ou sutilezas apaixonantes...

Liz Christine

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

What a wonderful world




Nada a declarar – o tédio queimou todas as ervas purificadas pelas desilusões permanentes (...). Cabelos longos e ondulados naturalmente – a absorção da plasticidade felina. Movimentos breves – o tédio se desmancha durante a lua cheia ou crescente. E a plasticidade felina derretendo as severas críticas ao consumo exagerado de pastilhas anti-estresse. Ah, e se existissem mesmo – as suaves considerações românticas apuradas pelas desilusões permanentes.

Em mundos repletos de desilusões, o prazer instantâneo reina absoluto. Em mundos repletos de egoísmo, a solidão é compensada com futilidades esvoaçantes. E o tempo voa mais rápido que as bruscas mudanças de humor ou direção.

O tédio queimou todas as ervas purificadas pelo insistente otimismo ingênuo – nada a declarar. Palavra nenhuma vai modificar a insistente mania de acreditar cegamente. Desconfie. Desconfie de sorrisos e frases prontas para serem descongeladas no microondas. Os sorrisos podem esconder amargas desilusões universais – e as frases prontas não enganam os pressentimentos da gatinha ruiva que fará quatro anos em novembro. Os felinos compreendem o tédio e as fases da lua que desmancham amarguras. Doces miados substituindo frases prontas ao chegar em casa. Onde estão as pastilhas anti-estresse? Ou as gotinhas anti-depressão? Ou a massagem anti-pânico? Exercícios de yoga para aliviar os problemas cotidianos.

Nada a declarar – nada é tão necessário quanto a observação constante e fugitiva das gatas insones. Elas observam calmas e quietas o hospício que chamam de sociedade. E tranquilamente o vento gelado invade o silêncio das prateleiras de livros.

Liz Christine

Says my heart




Um desânimo coerente – a precária substituição das vontades desfeitas... :-/

Um longo e claustrofóbico túnel iluminado – a claridade excessiva dos mercados vinte e quatro horas... :-(

O impossível segundo passo na substituição das vontades desfeitas – impossível reencontro das sanidades passionais (...). Sanidade perdida – morangos estragados na geladeira lotada em casas anoréxicas. Anorexia passional – ausência de prazeres efêmeros ou constantes.

Nem constante nem efêmero, nem longo nem curto – flanando em quartos vazios dentro de casas anoréxicas.

Um desânimo coerente – sobra ração e falta apetite. Tempestade dentro de casas anoréxicas – é preciso saborear o salmão ao molho de maracujá para se esquecer (esquecer sempre a anorexia passional).

A falta que te faz – a falta que te faz um pouco mais de coerência nos temperos.

O gato roubou um potinho de comida da Nestlé indicado para bebês a partir de seis meses – o gato guloso que se recusa a sair do quarto. A companhia do gato ameniza o desânimo coerente – muito mais coerente que os olhos verdes da gata rajada que se comporta como uma coelha perdida na floresta. Perdidamente envolvida pelas plantações de catnip – à procura de aconchego aos pés da macieira.

Maçãs envenenadas pelo desânimo coerente – as fantasias ou manias, estas sim, são incoerentes. Mania de tentar consertar o impossível – o impossível reencontro da sanidade envolvente das borboletas perdidas. Perdidas no meio dos livros embaralhados pela inconstante mania de reorganizar fantasias impraticáveis. Impraticável é a voz da ventania que quase arrasa as plantações de catnip – a gata branca se aconchega na cama onde vivem a tranquilidade e o silêncio introspectivo ao ouvir atentamente pela milésima vez uma música da Billie Holiday (e a dona da gata branca olha através da janela com tela a impraticável voz da ventania).

Liz Christine

domingo, 2 de setembro de 2012

As paredes



As paredes me abraçam, as paredes me beijam...

Minhas amigas são as paredes

As paredes me ouvem, as paredes têm ciúmes...

Minhas amigas são as paredes

As paredes me exigem, as paredes me sufocam...

Minhas amigas são as paredes

As paredes me ouvem sem entender nada – apenas em parte...

As paredes são também amigas das minhas gatas ronronantes

As paredes me acariciam na nuca e nas costas...

E trazem patê de pesente para as minhas gatas ronronantes

Minhas amigas são as paredes

As paredes me prendem, sufocam, exigem...

Mas me enchem de satisfação e orgulho ou prazer intoxicado

Intoxicada por tamanha incompreensão misturada ao foco intuitivo

As paredes adivinham meus desejos e me complementam

Mas nada compreendem de meus pensamentos

Minhas amigas são as paredes

Um caso de amor passageiro que mais ninguém vê

As paredes confidentes, afetuosas, ardentes, apaixonadas por mim

As paredes que querem me tirar a liberdade para

Para desfrutarem da atenção total e serem minha mais completa inspiração

Inspiração única – as paredes que imitam ovelhas mansas

E me presenteiam com patos de pelúcia e porções de cappuccino

As paredes me desejam mais do que ninguém

Um desejo de agradar tranquilo que jamais me feriu

Um desejo sem maldade, uma adoração como ninguém seria capaz de imitar

As paredes insubstituíveis – latem de brincadeira enquanto eu mio pela casa

As paredes me abraçam e adormecemos juntas

Envolvidas pela música

Minhas amigas são as paredes...

As paredes poéticas e ardentes contrastando com a frieza das multidões

Lá fora tudo é frio e solitário

A solidão das multidões que as paredes amenizam

Meus amores escondidos – eternos e passageiros mas sempre insubstituíveis

As paredes me observam – sempre com desejo tranquilo

A tranquilidade do prazer certeiro – elas sabem muito bem o que fazem

E como fazer – sabem como fazer

Os beijos sabor framboesa e a língua mais doce do mundo

A língua feita de códigos e surrealismos – a língua perfeita

E mais e mais, e sempre

As paredes sinceras que nunca me enganam

As paredes são minhas melhores amigas

Sempre ao meu lado – sedutoras e afetuosas...

Liz Christine