sexta-feira, 8 de julho de 2011

As cores do universo



De novo a tristeza latente ameaça as tardes de sábado. As buscas em vão não reencontram a paz das saudades satisfeitas. De novo a insatisfação reina no céu onde as nuvens desabrocham em gotinhas de insensatez repartida em três. Um ménage à trois de sabores parceladamente tão consistentes quanto a tristeza latente das tardes de sábado. Não, não há saídas. De novo a tristeza latente ameaça triângulos que desabrocham em pétalas amordaçadas. Cale todas as insatisfações com as parvas regras sociais que reinam abaixo das nuvens. Subverter a ordem natural dos níveis parcelados de consciência e consistência. Reencontrar a tão sonhada paz das saudades satisfeitas. As buscas em vão reencontram apenas desaprovação vinda das parvas regras sociais que desorganizam as individualidades preferenciais. A insenstatez repartida em três se esconde então embaixo da cama de casal onde cabem individualidades plenas de si mesmas reinando no céu onde as nuvens ditam a relação entre as cores do universo.

Liz Christine

segunda-feira, 4 de julho de 2011



Sílfides e willis dançando dentro do banheiro enquanto a banheira quase transborda por esquecimento. Nuvens de calor em volta dos espelhos enquanto a porta trancada preserva os descuidos da memória. Comment dois-je fuir? Fumando o quarto cigarro de hoje às onze horas da noite dentro da banheira – seis cigarros por dia, ainda restam dois a serem fumados até cinco horas da manhã. O racionamento de palavras parceladas enlouqueceria qualquer boa consciência. As horas sempre despertas se arrastam dentro do banheiro enquanto um cálice de vinho é degustado em absoluto silêncio entre duas pessoas que se desentendem a cada cinco minutos. O silêncio jamais será apreciado quando não há entendimento possível entre as partes. E as palavras nada explicam quando não há possibilidade de compreensão. Não há explicações plausíveis para memórias comprometidas por esquecimentos voluntários – escolher cada esquecimento necessário para o desenvolvimento parcelado. Sílfides e willis dançando dentro do banheiro enquanto todas as abstinências se desenvolvem dentro da banheira. Abstinência de compreensão, abstinência de satisfação plausível, abstinência de conforto emocional. As intransigências e manias felinas afloram a cada cinco minutos dentro da introspecção voluntária das nuvens de calor. Toda a falta de comunicação é tão voluntária quanto a cor que transborda na lua. Saindo da banheira e indo direto para o quarto descansar das improbabilidades diárias. A satisfação de todas as dúvidas é tão improvável quanto o racionamento de palavras parceladas.



Liz Christine

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Lua desacordada



A lua desacordada chora cada palavra que cai do céu (...).

O blues entristecido suspira por cada sonho interrompido (...).

Interferências na música provocadas por ruídos distantes (...).

O cotidiano se distancia e se desprende lentamente das paredes cheirando a dama-da-noite e jasmim (...).

A penumbra do quarto afasta cada lágrima da lua desacordada (...).

Sonhos interrompidos e palavras em vão desenham espirais de incompreensão desintoxicada (...).

A solidão é um veneno que corrompe o quarto habitado pela fumaça e pelo perfume da dama-da-noite e do jasmim (...).

Fumando as folhas do esquecimento e a embriaguez de um lento despertar (...).

O cotidiano se distancia e se desprende pouco a pouco das paredes exalando um suave amortecimento das cores e das tolas preocupações corriqueiras (...).

Apenas os ideais já esquecidos contam e a fumaça se dispersa com o vento que anuncia mudanças rápidas de humores nostálgicos (...).

A nostalgia abraça os instantes transparentes na mais pura letargia do torpor que envolve a penumbra (...).

Abrir os olhos para as mudanças que embaraçam os nós dos laços de seda cor-de-rosa (...).

A campainha toca e a gata branca se esconde no armário enquanto a lua desacordada chora cada palavra que cai do céu (...).

Liz Christine

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Insensatez embriagada



As patas cantarolando na lagoa – e a lua desaba sobre a grama (…).

Um cálice após o outro, e mais estrelas em torno da lua inspiram visões imprecisas (...).

Toda a imprecisão de instantes calorosos ao redor de incertezas puras (...).

Toda a inocência pura se mistura aos cálices de vinho – e as patas cantarolantes se aninham aos pés das verdades imprecisas (...).

Toda a verdade é tão incerta quanto os passos se aproximando cada vez mais – é a tua companhia (...).

Em tua companhia nenhuma palavra tem a mesma precisão que o brilho da lua deitada sobre a grama descansando das nossas incoerências (...).

As patas cantarolando na lagoa – e um cálice após o outro, e mais estrelas cochichando com a lua que se acomodou sobre a grama (...).

Cochichando todas as incertezas de uma madrugada compartilhada com a chuva inquieta que cai sobre instantes calorosos envolvendo inocências passageiras (...).

Tudo passa ou se transforma restando apenas essências apuradas que exalam amores corrompidos pela extrema falta de tato ou de sutilezas doces do mundo que nos rodeia (...).

A sutileza dentro do cálice de vinho apura cada vez mais os sentidos aflorando sobre inocências puras (...).

E os versos sublinhados em uma peça de teatro publicada quando a lua desabou sobre a grama se misturam à cantoria ao redor da lagoa – enquanto toda a imprecisão das tuas palavras flutuam em torno dos cálices compartilhados em instantes de pura insensatez embriagada (...).

Liz Christine

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Intransigências divididas com a lua



Alheia às palavras que me embalam em um sonho ausente (…).

A sede ultrapassa os limites de toda a ausência que mora nas ondas tão intensas que crescem a cada pausa no ritmo das asas em cada despertar (...).

Alheia às palavras que me embalam em um mergulho que se dissolve em pausas salgadas no ritmo do universo reduzido que mora em um sonho ausente (...).

Já nem sei mais digerir o excesso e o extremo de um universo reduzido que cresce ao redor de uma paixão sem limites (...).

Sonhando alheia à tua revolta sem limites em relação à indiferença das ondas tão intensas que engolem todos os silêncios ausentes transformando o excesso de palavras em asas de borboleta intoxicada por intransigências (...).

A cada mergulho ou a cada despertar, a cada excesso ou a cada extremo, a cada sonho ou a cada beijo trocado, a cada ausência ou a cada palavra compartilhada – a tua paixão sem limites tranforma o equilíbrio de um universo reduzido em intransigências divididas com a lua (...).

Liz Christine

Flocos de neve



As imagens se sobrepõem – o rosto se transtorna (…).

As luzes se entrelaçam ao sabor da música desenhando flocos de gelo se derretendo no teu colo iluminado pelo lilás contrastando com o sabor do vermelho ao lado do azul ignorando o verde (...).

As imagens flutuam sobrepostas e se desfazendo a cada acorde ou a cada vez que se abrem os olhos semi-fechados – e o mundo se transforma diante de sonhos desacordados (...).

Palavras dóceis invadem o casulo tecido ao redor do tempo definido pelas inconstâncias – e o rosto sorri vagamente desconcertado e apaziguado (...).

O som do mar envolve um vago sorriso apaziguado e a música desenha os bigodes de uma gata dançando com flocos de neve (...).

Liz Christine

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ventos de outono



A imprecisão das cores clareia as incertezas contidas no perfil desenhado por sonhos desajustados. O perfil de uma gata branca sorvendo toda a plenitude das estrelas. A cada gole de café, um sabor diferenciado de carícias apaziguadoras. Tudo soa inédito mas tenho todas as estrofes decoradas através de sonhos desajustados. A cada verso, a imprecisão das cores clareia as incertezas contidas no desenho feito sob medida para enfeitar o silêncio que apura os sentidos. É, o silêncio tem intenções variadas – ocultar sentidos ou apurar sentidos. Sorvendo cada instante retido nas intenções ocultas das estrelas que cobrem parcialmente teus gestos impacientes. A impaciência mora nesta rua repleta de sons parcialmente obscuros. É o mar cantarolando a cada madrugada até o amanhecer e a lua recitando estrofes de livros antigos que nunca soam datados. Tudo soa inédito mas tenho todas as estrofes decoradas através de sonhos desajustados namorando as incertezas plantadas ao lado da dama-da noite que perfuma a rua. Um olhar surpreendido enfeita a noite povoada por sons obscuros e músicas hipnóticas – é o olhar felino caçando mariposas e apurando carícias desavisadas. É, não há nunca avisos suficientemente capazes de nos fazer desistir – a cada tentativa de esquecer, as obsessões florescem dentro de sonhos desajustados. Alheia a quaisquer obsessões, a lua recita estrofes de livros antigos que nunca soam datadas – e o mar exala toda a perfeição de uma satisfação plena que atinge todas as metas planejadas. Não, nem todas as personalidades são dotadas da capacidade de planejar a longo prazo – vivendo o presente através de sonhos desajustados e impulsos irracionais porém deliciosos. A cada gole de café, um sabor diferenciado de carícias apaziguadores perfuma todos os instantes de suaves intransigências que envolvem as obsessões transitórias. É, tudo é transitório e muda de tempos em tempos – exceto os laços permanentes de um amor constante que cresce a cada noite repleta de cores imprecisas e contradições parceladas. As babuskas sobre a prateleira do quarto de brinquedos guardam todos os segredos (ou verdades) e contradições (ou amores constantes) que preenchem o perfil pensativo de uma gata branca desenhada em silêncio ao sabor dos ventos de outono.

Liz Christine

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sous la pluie



A tristeza sibilante e o devaneio lúcido – tão despreparados para enfrentar as temperaturas escaldantes de uma vasta plantação rasteira de sombrias perplexidades. E a sombra angustiada da insônia em vão acorda o despreparo do devaneio lúcido. A escuridão assombra pensamentos tolos vagando pelo corredor que leva ao banheiro mal iluminado por um ponto de luz colorido. Todas as tolices desgastadas pela razão turva que mal enxerga a inutilidade dos pensamentos circulares. As frases giram em círculos que se expandem e se fecham em torno de verdades dúbias. Tudo se transforma aos poucos em clareza passageira que se apropria de justificativas fúteis. Gostaria tanto que essa madrugada fosse tão bela quanto o perfil de uma gata lavando as patas na janela com tela – mas não. A escuridão sombria se apropria de cada busca por um sentido que jamais existirá. Nada mais faz mesmo sentido desde que perdi as chaves do paraíso artificial que abrigava um parque de diversões para jovens quase adultos de idades variadas e personalidades misturadas entre si. As essências se misturam e são adulteradas por diversos fatores sociais ou químicos mas as verdades turvas transparecem em cada clareza passageira. Gostaria tanto de nadar em águas claras e límpidas que de tão profundas parecem suaves devaneios. Mas a escuridão em que vivemos é rasa e poluída e as chaves do paraíso artificial se perderam depois de uma festa de aniversário que acabou em fatias parceladas de torta alemã com chá de morango. A última garrafa de champagne foi aberta às onze horas da manhã do dia seguinte à festa de aniversário e o último pedaço do paraíso artificial se desfez na minha língua às três horas da tarde de um dia nublado com temperaturas escaldantes. Busquei um sentido e encontrei apenas teu sorriso dúbio congelado ao lado de bolsas térmicas para tratar fraturas e dores musculares ou simplesmente refrescar idéias já desgastadas pelo calor de um verão em Paris.

Liz Christine