quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Des histoires insensées


“Para qué quiero otros besos?, si tus labios no me quieren ya besar...”
(trecho de Perfídia, cantada por Sarita Montiel)

Porque te esqueço em alguns momentos. Olvidar tus labios. Besos inolvidables.
Não te esqueço para sempre porque te encontro em algumas tentativas de te esquecer.
E como já fiz muitas besteiras tentando te esquecer, decidi não fazer mais besteiras e tentar te encontrar...
Mas eu te perco a cada tentativa.
Então decidi esquecer a idéia de tirar alguma conclusão sobre a melhor forma de agir, e me deixar fluir, escorrer, escorregar... ser.
Ser tua em pensamento – apenas em pensamento. Porque não queremos a realidade de uma tentativa frustrada de uma compreensão mútua que nunca tivemos.
Eu sei que você não entendeu muito do meu mundo – e eu não consegui enxergar o teu.
Eu te enxergo apenas através de espelhos com portas trancadas.
Todas as portas estão trancadas para mim agora, e não vejo senão sombras de realidades fragmentadas.
Vejo um pedaço teu em um rosto que me é familiar. Um rosto que vejo todos os dias e que talvez pense como tu. E a sombra do teu rosto nesse rosto que me é familiar me faz pensar que talvez eu seja um pouco louca.
Ou muito. Por te ver também do avesso. Talvez tua maneira de pensar seja quase oposta à minha. A respeito de muitas coisas. E eu quero a verdade:
É possível te esquecer? Ou te ter?

(texto dedicado à uma voz)

Liz Christine

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Empty bed blues


O mar salgado que mora dentro de um par de olhos verdes que escorre do meio das minhas pernas quando penso na tua língua passeando por mim. Os bicos dos teus seios atraem minha língua como palavras atraem perguntas. Sempre fugindo de perguntas em meio a tantas frases. Você não mora no meu passado, você vive inteira dentro de toda água que cai dos meus olhos castanhos quando lembro da tua maneira de ser. E como é agora? Como fico eu nesse quarto que tantas vezes dividimos trocando carinhos e olhares? Todas as fotos que tiramos de nós duas, você jogou fora? As que ficaram comigo, guardei. Guardei só para mergulhar no verde dos teus olhos que mora na minha pele e escorre do meio das minhas pernas quando penso em você tirando nossas roupas. Eu te quero ainda, e penso no que vou fazer amanhã. Amanhã quando eu acordar quero te ver dentro dos olhos da minha gata que ocupa o vazio em que você me deixou. E vão haver outras e outras, e mais outras, muitas manhãs sem você me perguntando com o que eu sonhei a noite passada...

Liz Christine

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Car ma vie aujourd'hui ça commence avec toi


Preciso me concentrar para mergulhar. Mergulhar no teu rosto fechado para minhas abstrações e símbolos. Quero mergulhar no teu meio-sorriso sem blusa e sem noção. Sem noção de que penso em ti dia e noite e madrugada adentro. E percebo uma mudança em mim. Quero te jogar fora das minhas noites insones. Quero te ter ao meu lado na cama ou em qualquer outro lugar. E percebo uma mudança. Tenho me convencido de que devo te esquecer de uma vez por todas. E procurar qualquer outra pessoa que preencha esses dias sufocantes de angústias que caem pelo chão a cada passo incerto de quadris nus. É que ando semi-nua pela casa esperando – esperando o quê? Quando não há mais ninguém, te espero. Ainda te espero e te carrego para onde quer que eu vá. Em pensamento, a cada novo dia, todas as manhãs, e tenho as tardes preenchidas por – desesperos e minhas mãos. Minhas mãos buscam em meu próprio corpo algum prazer ou alívio, doce ou violento. Tenho tido impulsos sim, impulsos de mais uma vez – sabe que andei fazendo isso quando a menina dos olhos verdes me deixou? Andei fazendo machucados por mim inteira. Em todos os cantos. Eu te espero sim, querendo te tirar daqui – minha cabeça. Minha cabeça, triângulos ou círculos. E meus olhos, no espelho, vêem – o quê? Sei que é verdade que as músicas, cada uma tem um rosto, e o teu rosto se repete, se repete em tantas delas...

Liz Christine

domingo, 13 de julho de 2008

Caterina


Love is extra-terrestrial
And love falls from the stars


Na grama nua pousou uma estátua que veio saltitando por entre as árvores de cristal. Eu me apaixonei pela estátua e tudo cantava ao meu redor. Esquilos tiravam fotos e corriam de volta para suas tocas. Meus olhos brilhavam, meus lábios sorriam. Mergulhei no verde dos olhos da estátua e acordei numa banheira cheia de vodca e gelo. Não suporto álcool. Eu estava entre estranhos, canudos e copos. Gritei pela estátua e perguntei se eu podia usar o telefone. “O telefone fica no quarto”, me disseram. “Me levem até lá”, pedi. Eu não tinha realmente para quem ligar. Só queria rever a estátua. Olhei pela janela, lá embaixo a grama e as árvores. O verde, o delicioso verde. A dor, a decadência da dor de uma paixão de cristal. Ao menor atrito, se quebrou.

Liz Christine

sexta-feira, 4 de julho de 2008

La spirale du silence


“Did you know when you lost?
Did you know when I wanted?
Did you know what I lost?
Do you know what I wanted?”
(trecho da música Silence, Portishead)

Aquela noite ou manhã, sabe? Não, não fala nada, espera eu acender mais um cigarro de canela. Eu não fumava ainda... mas misturava tantas coisas, lembra? Não tenho certeza se foi naquele mesmo dia que você não acreditou em mim e eu fiz o que fiz sem saber o que fazia. Tenho a sensação de que te encontrei na casa de um amigo em comum, e você falou qualquer coisa que não me agradou. E também falou de alguém. Alguém que eu conheci depois. E eu não sei, sabe?, porque é tudo tão confuso na minha cabeça. É que eu fugia da realidade. E você nunca percebeu, ou percebeu e não tentou compreender.

... alguém que tenha
a minha senha
a chave perdida
em algum lugar
da minha vida...

Um trecho de um poema escrito aos dezoito anos, pensando em ti. É verdade, encontrei poemas meus escritos dos dezesseis aos dezenove anos, sabe onde? Na internet, espalhados. É porque depois da minha quase-morte não escrevi mais poemas. Escrevi alguns poucos e depois parei totalmente. Qualquer coisa de inocente morreu em mim. Mas poesia também vive em outras formas de expressão. Vejo poesia na tua voz. Sabe as trilhas sonoras dos filmes do David Lynch? Você também vê?, ou só eu vejo? Eu também vejo alguma poesia nos bigodes daquela gata que dorme dentro daquela noite ou manhã e nunca mais acordou. Uma vez por outra ela abre os olhos, depois volta a dormir.

Liz Christine

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Hymne a l’amour


Peu m'importe si tu m'aimes,
Je me fous du monde entier.

Nous aurons pour nous l'éternité,
Dans le bleu de toute l'immensité,
Dans le ciel, plus de problème,
Mon amour, crois-tu qu'on s'aime?

Dieu réunit ceux qui s'aiment.

Você olha meus seios, eu olho tua voz. Fecho os olhos para ver tua voz. É a primeira vez que você olha meus seios, mas já vi tua voz antes e visito tua voz sempre que desejo. Tua voz é calda de chocolate quente. Meu olhar é água que escorre de uma planta que vi crescer no jardim onde moravam borboletas e gatas brancas e rosas sinceras. Mas ninguém mais habita meu jardim. Foi desocupado por um furacão de lágrimas vindas da escuridão da loucura que nasce de um amor que fracassou. Morreu por descuido mas eu não sabia muito bem como cuidar de nada. Eu também me maltratava, mas sem deixar de pintar as unhas de vermelho e lavar o cabelo com xampu cor-de-rosa de ginseng e oliva. Hidratantes de leite e cereais ou de baunilha. Batons com vitamina E e filtro solar. Tantos cuidados. Tantas drogas. Tantos transtornos alimentares. Tantas decepções. Espera-se sempre demais. Eu sinto que todo mundo quer me tirar alguma defesa ou exigir algum comportamento. Não me importa muito que eu perca defesas. Mas há exigências que não posso nem devo cumprir. E também não quero. Não vou fingir que sou como gostariam que eu fosse porque alguém qualquer dia desses vai me aceitar simples e absurda. As borboletas eu guardei na minha pele. As gatas brancas eu busco em sonhos. As rosas sinceras estão escondidas em fotografias que talvez eu tenha perdido dentro de um livro nunca publicado por editora alguma. E a planta cresceu e anda solta por aí mas nunca mais a vi. E tenho a tua voz que carrego comigo grudada em minhas orelhas quando penso em tudo que deixamos de tentar.

Liz Christine

domingo, 15 de junho de 2008

Voz que se derrete em sons


“I'm a high school lover, and you're my favorite flavor
Love is all, all my soul
You’re my Playground Love

Yet my hands are shaking
I feel my body remains, themes no matter, I'm on fire
On the playground, love.

You’re the piece of gold the flushes all my soul.
Extra time, on the ground.
You’re my Playground Love.

Anytime, anyway,
You’re my Playground Love.”
(música Playground Love, Air)

Pato de chocolate. Voz de pato. Um rosto dividido em dois. Unhas que deslizam sobre a pele nua de defesas. Voz que se derrete em sons. Sons repartidos ao meio, metades divididas em três partes, até chegar no mínimo do bom-senso ignorado. Não, não devo. Mas sim, siga em frente. Não, nunca se aproxime. Mas, claro, pense um pouco. E saia, saia da minha coleção de brinquedos desejados. Voz que preenche a noite que é suave como um livro comprado no desabrochar de uma idéia. Acho que antes eu não sabia, não fazia idéia do quanto. Sim, esqueça. Esqueça a cada novo beijo. O que antes eu era e já não sou até que por acaso se for possível eu torne a ser. Livre da tua voz que se derrete em sons dentro de uma boca que se divide em duas. Uma parte te agarra com o olhar se desviando sempre. A outra metade te diz para continuar seguindo teu caminho sem soltar tuas mãos. E assim eu coleciono brinquedos e remédios. Cada nova conquista é um remédio para as decepções anteriores. E cada novo remédio se torna um brinquedo possuído ou sonhado nas minhas mãos. Ou eu te quebro ou você me decepciona mais uma vez. Quebrar tua cegueira ou certeza de que não sou sólida. Não, não sou mesma sólida como você talvez seja. Tenho a solidez de um rio. Um rio que chora tua rigidez e que bebe todo dia a tua voz que se derrete em sons.

Liz Christine

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A alegria das cabrinhas


Eu alterno pirulitos de morango com cigarros de canela e beijo tuas asas de fada verde do bosque encantado das borboletas febris que voam em direção às rosas e tulipas que brotam de lençóis que me cobrem. As borboletas moram na minha pele. E o pato que mora na lagoa dentro do meu banheiro me pergunta: “é verdade que sou um sapo que ronrona quando toma banho?” A fada verde desliga o vento gelado e eu saio da cama e desço as escadas.

Liz Christine