sexta-feira, 7 de outubro de 2022

A lua sorri quieta


 

Os sonhos mais intensos e os afetos mais profundos, foi isso o que o gato guardou naquela caixa. Os olhos mais encantadores e frases recortadas, os trechos aparentemente incoerentes do percurso. Aparentemente mas não em realidade, e de todo compreendida, é a poesia mergulhada em mel com limão e recortada de uma página que o gato guardou na memória e me trouxe de presente junto com um perfume e a caixa que ele não quer que eu veja. A caixa onde o gato guarda os sonhos mais intensos e os afetos mais profundos. E a minha gata tão dócil me chama e me mostra duas páginas. É quase de noite. A lua sorri quieta.

 

Liz Christine

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Passeios vespertinos


 

Uma rã de azul translúcido e uma borboleta verde acordaram a gata branca com algumas manchas pretas que sonhava com a gata persa que via um gato da raça maine coon que conhecia o Sócrates e lia poemas – e então o vento que passava me disse que a rã era de um azul tão translúcido e que a borboleta verde voltaria durante aqueles passeios vespertinos, naqueles dias em que um céu tão azul e parcialmente cor-de-rosa é tão agradável de se olhar. E então o vento, o vento que passava e retornava, o vento que voltava e envolvia passeios vespertinos me mostrou uma foto, e a foto era um poema, e falei com Sócrates, e vi a borboleta verde, e ouvi algumas palavras, e folheei um livro, o livro que estava escrito no céu mais cor-de-rosa que azul.

 

Liz Christine

sábado, 3 de setembro de 2022

A Esfinge e o Tempo


 

   E eu olhava

 

E via e olhava

 

   Atentamente

Intensa e sutilmente

Atenta e profundamente

 

  Olhava e via

 

Distraidamente

 

E quanto mais olhava e via

 

As safiras sorriam

 

As esmeraldas e águas-marinhas falavam

E rubis escondidos novamente

 

Tudo nos olhos da gata

 

Todo o arco-íris se espreguiçava

 

E ela fechava os olhos e ronronava

 

E depois me olhava

 

    Atentamente

Intensa e sutilmente

 

E era doce e amável

 

E eu fechava os olhos e ouvia

 

As suaves declarações da lua

 

E o eterno aroma da dama-da-noite

Que plantaram um pouco perto daqui

 

E me falaram sobre os parênteses e as janelas

 

E então fechei um pouco as janelas e li

 

Li vozes tão distantes mas tão compreensíveis

E sonhos tão nítidos

 

E aquele lince reapareceu

 

O lince que se chama Fafisa

 

De alguma outra página.

 

Liz Christine