sábado, 3 de setembro de 2022

A Esfinge e o Tempo


 

   E eu olhava

 

E via e olhava

 

   Atentamente

Intensa e sutilmente

Atenta e profundamente

 

  Olhava e via

 

Distraidamente

 

E quanto mais olhava e via

 

As safiras sorriam

 

As esmeraldas e águas-marinhas falavam

E rubis escondidos novamente

 

Tudo nos olhos da gata

 

Todo o arco-íris se espreguiçava

 

E ela fechava os olhos e ronronava

 

E depois me olhava

 

    Atentamente

Intensa e sutilmente

 

E era doce e amável

 

E eu fechava os olhos e ouvia

 

As suaves declarações da lua

 

E o eterno aroma da dama-da-noite

Que plantaram um pouco perto daqui

 

E me falaram sobre os parênteses e as janelas

 

E então fechei um pouco as janelas e li

 

Li vozes tão distantes mas tão compreensíveis

E sonhos tão nítidos

 

E aquele lince reapareceu

 

O lince que se chama Fafisa

 

De alguma outra página.

 

Liz Christine

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Nuvens (enquanto o céu parece agradável)


 

A foca ou a porquinha-da-índia, tão fofinhas, tão fofinhas quanto aquelas nuvens que me escutam todos os dias, enquanto falo pouco, ou de repente falo demais, e repito os mesmos sonhos, e reescrevo novamente que a foca ou a porquinha-da-índia, tão fofinhas, tão fofinhas quanto um gato ou uma gata ou uma trufa ou um livro que descreve os pensamentos que não são pronunciados, e são doces, e são calmas, e se escondem, e eu as vejo, e me recordo, e me recordo que vi a estrela-da-manhã quando tive insônia, e acordei Sócrates e a minha amiga, a minha amiga que está agora sentada falando, e eu a ouço, e revejo as nuvens, eu as vejo quase todos os dias, e elas tudo escutam, enquanto o céu parece agradável, e as palavras circulam ou se escondem, e a gata descansa.

 

Liz Christine

 

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Lírios

 


Pense nos lírios. E nas borboletas quase em extinção.

 

Eu vi a salamandra e ela falava muito. Minha gata estava dormindo e pedi que não a acordassem. Mas minha gata acordou assim mesmo, por ela mesma, ao lembrar dos lírios e das borboletas quase em extinção.

 

Sinto saudades. Respiro e vivo o presente. Respiração e inspiração. No espelho eu vi e vivi. E vivo e respiro. Penso nas gardênias também. E sinto saudades. E traduzo. Em respirações longas ou breves. A eternidade e o efêmero. O dia-a-dia da convivência. A noite, a lua, as madrugadas, e o despertar. A sonolência, os sonhos, e as páginas.

 

Muitas e muitas páginas.

 

Liz Christine