quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Palavras subentendidas

 


Tempo eterno e volúvel

 

       Repetindo

 

    Distorcendo

 

      Tecendo

 

  Modificando

 

  Retornando

 

Tempo eterno e volúvel

 

Fugiremos às duas e meia da madrugada

 

Para o Reino das Sombras inacessível

 

Inacessível ao pensamento oculto

 

Quando alcança a plenitude

 

    Ela se traduz em

 

   (Poemas submersos

 

Palavras subentendidas

 

Silêncios compartilhados e compreendidos

 

Sonhos do tempo eterno e volúvel)

 

Retorno à tarde e vejo a gata que me olha.

 

Liz Christine

 

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Livros que deveriam ser relidos

 


Quem recusa o mundo das aparências é devidamente diagnosticado. Quem ama sonhos e respira poemas é igualmente diagnosticado. A realidade aqui não conta nada. Quem escreve contos aqui são gatas, gatos, ovelhas, borboletas, patos, abelhas, cães e outros bichos. Eles me dizem todos os dias para não confiar nas palavras. E me perguntam se enxergo o fundo do mar quando tomo banho no chuveiro. E me perguntam se vejo a alma dos sonhos descritos por eles, os bichos.

 

As borboletas moram nos meus braços e também no meu cérebro. A gata convive comigo. Eu a escuto até quando ela fica calada. E o gato escolhe os livros que deveriam ser relidos ou ignorados.

 

E vivemos em paz.

 

Liz Christine

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Uma trança

 


Um sonho, claro. Algumas palavras em aramaico. Não sei se poderia dizer isso. A música mais parecia música para gatos ou gatas ronronantes e satisfeitos ou satisfeitas com a visão que tinham de palavras intraduzíveis. Os gatos ou gatas compreendiam algumas palavras mas havia outras palavras que não entendiam quase nada (ou, se entendiam ou não, não tinham muito interesse em explicá-las).

 

O próprio sonho, claro. O próprio sonho veio até aqui e me fez uma trança e escovou as gatas. Sócrates falou com o sonho.

 

O sonho falava francês, inglês, italiano e português. Eu não falava quase nada. Eu via os olhos do sonho. Eu ouvia barulho de águas porque fazia parte da música.

 

“Algumas pessoas não gostam do que eu falo”, eu disse a Sócrates. “Eu sei, às vezes também não gostam do que eu mio”, respondeu Sócrates. Ela entendeu o que eu e Sócrates falamos. Ela conversou e escovou a gata.

 

E o sonho retornava regularmente.

 

Liz Christine