quinta-feira, 9 de agosto de 2007

difícil de acreditar



 Desejar muito. Desejar experimentar e desejar viver como nos filmes A Dama das Camélias (com a Greta Garbo) ou Love Me Or Leave Me (com a Doris Day). A Greta Garbo abre mão de todo o luxo e festas e jóias para ficar no campo com o seu amor verdadeiro, e depois abre mão de seu verdadeiro amor para livrá-lo da vergonha e do preconceito e de uma vida de misérias porque a sociedade daquela época não aprovaria o amor deles devido à vida que ela tivera antes. Em A Rainha Cristina, a mesma Greta Garbo é uma rainha que se veste de homem e cita Moliére (a frase “how is it possible to enjoy the idea of sleeping with a man in the room?”, de uma peça) e ri do amor, até que se apaixona perdidamente e larga tudo pelo seu amor... mas ele morre. E a Doris Day, vivendo a Ruth Etting que se casa com um gângster e se apaixona pelo pianista… E muitos outros filmes sobre amor onde as pessoas vivem de uma forma antes de se apaixonarem e depois se transformam. Eu dizia que não acreditava em amor mas via todos esses filmes – (...),,,

Liz Christine

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

The end of me

Eu nunca quis escolher entre amor e liberdade. Eu sonhava com ambos. E só encontrei solidão. Solidão nas minhas idéias, solidão nos meus desejos. Algumas pessoas se apaixonaram por mim. Algumas pessoas tiveram ciúmes. E agora eu já não sei mais se acredito nas minhas próprias idéias. Talvez eu estivesse errada. Realmente não sei. Não sei se consigo viver da forma que consideram correta. Tragedy, just seems to be the end of me

Liz Christine

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Bergman:

Do roteiro de A hora do amor:

“Tentei viver sem você. Pensei que fosse possível. Pensei que pudesse retornar à minha antiga existência. Mas não posso fazê-lo. Dói fisicamente viver sem você. É como um trabalho permanente; faça eu o que fizer, nunca consigo livrar-me dele. Nunca imaginei que as coisas chegassem a este ponto. Eu não sabia que estava tão absolutamente ligado a você. Pensei que passasse. Quando a deixei foi para evitar emoções adicionais, lágrimas, erupções de sentimentos. Eu não aguentava mais esta situação. Eu quis cortar fora tudo aquilo. Eu quis, finalmente, reencontrar a paz. Mas as coisas não aconteceram como eu pensava, em absoluto. Tudo apenas piorou. Não posso viver sem você. Soa terrivelmente ridículo dizer que não posso viver sem você. Mas é a pura verdade. Não há meio de expressá-lo de alguma maneira mais adequada. (…)”

“Sim, é verdade. É a pura verdade. Nenhuma pessoa me fez tanto mal como você. Nenhuma pessoa me fez sofrer como você. E, mesmo assim, eu não vou segui-lo. É possível que isso me martirize o resto de minha vida. Sei que sempre haverá de doer.”

Do roteiro de Sonata de outono:

“Se alguém pudesse me amar como sou, talvez, finalmente, me pudesse encontrar.”

“Eva
É como se fosse um fantasma que de repente cai em cima da gente quando uma pessoa abre a porta para o quarto da infância. Isto, quando a gente já há muito tempo se esqueceu que, apesar de tudo, ainda existe uma porta para o quarto da infância. Acha que já sou adulta?”

Viktor
Não sei o que significa ser adulta...

Eva
Nem eu tampouco.

Viktor
Ser adulto, certamente, é poder dominar seus sonhos, suas esperanças. A gente não deseja mais.

Eva
Você acha?

Viktor
A gente não tem mais surpresas.

Eva
Você, sentado aí de cachimbo na boca, como parece inteligente e cheio de bom-senso. Você é adulto, completamente adulto.

Viktor
Acho que não. Ainda não parei de ter suspresas todos os dias.

Eva
Surpresas? Supresas com o quê?”

“Tudo existe, lado a lado, penetrando-se mutuamente. É como se fossem monstros gigantescos que a toda hora se transformam, entende o que eu quero dizer? Da mesma maneira deve existir também uma quantidade ilimitada de realidade. Não apenas aquela realidade que entendemos com os nossos sentidos obtusos, mas sim um montão de realidades girando à volta uma das outras, por dentro e por fora. Claro que é apenas o medo e o pretensioso bom-senso que nos fazem acreditar em fronteiras. Não existem fronteiras. Não existem, nem para os pensamentos, nem para os sentimentos. É a angústia que fixa as fronteiras, você também não acha? Quando você toca os compassos lentos da sonata de Beethoven para hammarklaver também deve sentir como se estivesse girando num mundo sem fronteiras, dentro de um movimento gigantesco que você jamais poderá reconhecer ou pesquisar.”

Do roteiro de Face a Face:

"Maria
O que é que você diria se eu levantasse a mão e acariciasse a sua face? E, depois, baixasse a mão e acariciasse seu peito? O que é que você diria se eu... Se eu baixasse ainda mais a mão e começasse a acariciá-la entre as pernas?

Jenny
Você é realmente encantadora e muito convincente. Mas deve saber que os psiquiatras são apanhados em situações como esta, com muita frequência. O grande problema, ainda por resolver, é justamente como evitar as ligações entre médico e paciente.

Maria
É agradável poder ser cruel em serviço?”

Do roteiro de Gritos e sussurros:

“Há, não obstante, uma particularidade: – Todos nossos interiores são vermelhos, em diferentes nuances. Não me perguntem porque razão deve ser assim, pois não o sei. Eu mesmo meditei sobre o assunto e acabei achando que uma explicação era mais cômica que a outra. A mais absurda, mas também a mais consistente, é que tudo isto, vem a ser, possivelmente, alguma coisa de interiorizado, e que eu, desde a infância, sempre me figurei o lado de dentro da alma como uma membrana úmida; em nuances vermelhas.”

“Maria é a mais jovem das irmãs, também ela bem e estavelmente casada com um belo e bem sucedido homem, usufruindo de razoável posicionamente social. Tem uma filha de cinco anos e, ela mesma, comporta-se como uma criança mimada, suave, brincalhona, alegre, com uma paciente curiosidade e gana de se divertir. É muito fixada em sua própria beleza e nas possibilidades de prazer que seu corpo oferece. Falta-lhe qualquer compreensão do mundo em que vive, bastando-lhe seu próprio ego e nunca se mortificando com alheias ou próprias limitações morais. Sua única lei é agradar.”

Do roteiro de A hora do lobo:

“A senhora idosa: Não se assuste, minha criança. Não sou perigosa. Pega a minha mão. Pega a minha mão, agora. Assim mesmo, finalmente. Agora, você sente a minha mão? Os dedos, as veias sob a pele? Ainda tem medo de mim. Sim, em minha idade fica-se com os dedos um tanto frios. Eu já atingi, em todo o caso, duzentos e dezesseis anos. Que estou dizendo, quero dizer, setenta e seis. Bem, é tempo de eu ir seguindo. Que é que eu fiquei de dizer? Ah!sim! Já me lembro outra vez. Na maleta preta dele, que está sob a cama, encontra-se o bloco com os desenhos que vimos ontem à noite. Ele quer destruí-los. Você deve pedir a ele que não o faça. Isto não seria bom. Ainda uma coisa. Na mesma maleta ele guarda seu diário. Leia-o. Mas não diga que fui eu que o sugeri. Ele desconfia de nós. E este é seu grande erro. Pois bem. Não se esqueça do que eu disse. Não, você não deve seguir-me. Seria cansativo demais. Para mim, queo dizer.”

Do roteiro de Da vida das marionetes:

“Você acha que eu falo demais. É verdade. Eu talvez vacile em contar o que me preocupa. Enquanto eu não pronuncie a palavra, o meu problema é como um sonho irreal. Quando eu a tiver pronunciado, então, terei menifestado a minha preocupação.”

O ar se transformou. Tornou-se suave e fácil de respirar. A luz cinzenta evaporou-se e foi substituída por uma luminosidade leve, assim como mãos amigas que tocavam nossos corpos feridos. Ao mesmo tempo escutei uma música distante ou talvez uma canção, não sei ao certo. Eram quatro notas simples em algum tom maior, consolando e curando. Nos procuramos um ao outro. Tocamos um nas feridas do outro.

“Peter
Agora você vai escutar o disco sobre a pervertida lealdade de Katarina. Não vamos divertir nosso amigo com outro dos nossos números de porrada?

Katarina
A boca não se cala. É como se ele tivesse angústia de silêncio.

Peter
No silêncio se escuta a verdade.”








segunda-feira, 16 de julho de 2007

Foder com a sua voz


Silêncio. Tudo tão quieto. Gostaria que desabasse sobre mim todo o peso dos flocos de desejo sabor chocolate ao leite crocante. Chocolate branco com pedacinhos de biscoito sabor caramelo. Qual a cor do meu desejo? Use sua voz para me despir. Use suas mãos para me dizer o que eu já sei. Que você já sonhou que me encontrava assim, te esperando, mas era um sonho confuso porque eu te embaralho os pensamentos. Use sua língua e sua boca para me procurar nessa escuridão de desequilíbrio passageiro. É, você tira meu equilíbrio dos eixos. Não me solte nunca mais. Eu quero a liberdade dos que escolheram colocar em primeiro plano isso que chamam de absurdo. É um absurdo pensar em amor nos dias de hoje? Eu não quero mais ninguém, juro. Juro pelos meus seios que te esperam sob minha blusa. Juro pelo perfume que eu usei para te ver. Eu preciso te olhar. Tira a roupa para mim e deixa eu te olhar. Deixa eu ver como você faz quando não tem mais ninguém olhando. Eu gosto de fazer isso antes de entrar no banho ou antes de dormir, e você? Quero ver você sentindo prazer, quero te ouvir também. Não, eu não quero ouvir música agora, quero ouvir sua respiração, seus gemidos, nossos barulhos. Depois, talvez. Depois, talvez, eu possa colocar uma música e te dizer o quanto eu quis e desejei te encontrar finalmente. Agora eu posso realizar minha maior fantasia – agarrar a sua voz…

Liz Christine

quero que você me beije até…


O verde dos seus olhos. Seus olhos na minha pele. Sua voz rouca me pede para acender o abajur de lâmpada azul. Acendo e deito na cama, ao seu lado, grudada em você. Escondo o rosto no seu ombro e você me abraça me pedindo para olhar para você. Mas eu não quero me perder nesses olhos de intensidade tão suave. Sua pele é suave como um botão de rosa. Seu rosto é delicado e suas mãos começam a me buscar. “Me fala tudo que você gosta”, você diz. “Eu gosto de um pato e de duas gatas”, eu falo. “O quê?” “O pato e o sapo são a mesma coisa, e uma gata é lilás e a outra tem olhos verdes, como os seus…mas a gata de olhos verdes latia e fazia arf arf arf… você faria isso?” “Não sei.” “Eu estou te assustando?” “Não.” “Você me acha infantil?” “Não, eu acho você…” “Melhor não dizer…” Eu era bastante silenciosa, quase não falava. Mas, antes, eu não tinha passado. Só tinha a minha infância e puberdade, e disso eu não ia mesmo falar. Tinha o transtorno alimentar, mas isso eu também queria esconder. Acho que as coisas que eu não dizia me alcançaram e fizeram um estrago na minha cabeça. Como não quero passar por isso de novo, sou o mais sincera que posso, na minha maneira de falar. Se eu tiver interesse. Se não tiver…

Acho que fiquei mais doida do que já era.

“Você vai me contar sobre o pato e as gatas?” “Não sei, agora eu quero que você me beije até… até eu perder o fôlego.”

Liz Christine

sábado, 14 de julho de 2007

Insanidade e garotas que amam garotas


Falando sobre insanidade… Sonhei com você várias vezes. Havia um sapo e um pato sem asas num quarto com uma luz azul. Você era os dois. O sapo e o pato sem asas falavam com a sua voz… e eu beijei os dois. Beijei os dois sentindo prazer e alegria. E a luz azul se tornou verde. E as paredes se tornaram laranja. E então sua voz disse alguma coisa sobre insanidade e garotas que amam garotas… e eu beijei você de novo, eu não liguei. Eu estava apaixonada pelo sapo e pelo pato. Mas por que o pato não tinha asas? O que aconteceu com ele?

Liz Christine

domingo, 8 de julho de 2007

I want a little sugar in my bowl


Ela calçou as sapatilhas de porcelana e foi rodopiando até o banheiro. A porta estava fechada e de lá vinha uma música alta e agradável aos ouvidos. Música que dava vontade de dançar. Ela bateu na porta e não houve resposta. Então resolveu abri-la assim mesmo e entrou. Era uma festa. Ninguém notou sua presença. Ninguém, exceto eu, que fui em sua direção com meus sapatinhos vermelhos de cristal. Minha visão estava embaçada pela fumaça das vozes abafadas. De repente a música parou e só se ouvia o barulho violento de uma cachoeira, enquanto os coelhinhos saíam de suas gaiolas. Os gatos passeavam livremente pelo banheiro e alguns até dormiam sobre a pia. Ela falou comigo, foi ela quem falou primeiro. Então eu senti medo porque a voz dela era uma mistura de creme de amêndoas com cobertura derretida de chocolate branco. E ela disse que eu tinha voz de menininha assustada, assustada, arrogante, doce e cruel. Sim, ela disse que eu tinha uma voz doce e cruel das crianças que sentem medo do escuro e não medem as conseqüências de suas brincadeiras. A música voltou nesse instante e eu perguntei se ela queria dançar comigo. O que você vai fazer de mim?, ela me perguntou. O que você quer que eu faça de você?, eu perguntei a ela. Não me faça sofrer demais, ela respondeu. Passei a mão pelos cabelos ondulados e soltos dela e nossos rostos se tocaram, nossos lábios se encontraram, as mãos delas percorriam minhas costas e a mão direita foi direto até meu seio esquerdo, e minhas mãos foram subindo por debaixo do vestido dela – e assim ficamos durante toda a música, trocando palavras e tateando nossos corpos. Procuramos um lugar mais isolado, o banheiro estava cheio demais apesar de ser maior que o apartamento inteiro onde moro. Onde você mora?, ela me perguntou. Na Rua das Camélias. Numa cobertura, sétimo andar, e você? Eu moro aqui, moro na cozinha, vamos até a minha casa? E fomos. Ela tirou primeiro meus sapatinhos de cristal vermelhos e depois tirou as sapatilhas de porcelana dela. Depois ela tirou o vestido e eu tirei a minha blusa e a minha saia. Então ela começou a cantar
I want a little sugar in my bowl… E eu me deitei no chão da cozinha de pernas abertas. Ela percorria minhas pernas com a língua e parava de vez em quando para cantar. Eu gemia baixinho e me perguntava se íamos nos ver de novo. Adivinhando meus pensamentos, ela disse que me ligaria no dia seguinte, assim que acordássemos.

Liz Christine

sexta-feira, 6 de julho de 2007

si mon coeur est desespere


É sempre a mesma rua, uma casa de paredes vermelhas, uma sala sem móveis e um som tocando Bessie Smith. Baby, won’t you please come home, baby, won’t you please come home, I have tried in vain, never more to call you name… Um gato branco de olhos azuis, deitado no som, que abandona seus sonhos para perseguir uma mariposa, em seu vôo noturno, que abandona sua descrença para tentar mais uma vez, mais uma vez. Ela sobe as escadas. É uma casa bem antiga. Ela entra em um dos quartos, o maior, e deita na cama sem colcha. O colchão nu, sem travesseiros, uma pilha de livros no chão. Ela não se mexe, espera. Deveria ela trancar as janelas? Até o dia amanhecer, deveria ela trancar as janelas até o dia amanhecer? Ela não sabe descrever. Não sabe descrever o que escuta dentro de si. É o estalo de um vinil estragado. Estragado pelo tempo e por uso indevido. Uso indevido das palavras. Uso abusivo dos silêncios. Exagero e hábito. Ela tem o hábito de exagerar nas dosagens. É a quantidade que meu corpo precisa, ela diz. É a quantidade de imagens que me assaltam em uma noite insone, ela conta. Ela fecha os olhos e recomeça. É sempre a mesma rua, uma ladeira, uma bicicleta estacionada num poste recém-pintado, a rua está sendo varrida e todo o lixo entra na casa de paredes vermelhas. Ela recolhe as embalagens e os papéis amassados, lê cartas antigas de desconhecidos, separa um poema ilegível e o guarda dentro de um livro. Ela espera que seu fetiche se materialize. Leurs coeurs s’embraser… São duas horas da manhã e a outra chega. Traz consigo uma sacola cheia de livros, um notebook, dois Toddynhos e uma foto da Josephine Baker. Entra com a chave, sobe as escadas e se encontram no quarto, sem pronunciar uma palavra. As duas desembrulham um pacote que estava embaixo da cama.

Sou exibicionista. Adoro tirar fotos nua. Adoro foder com alguém assistindo. Adoro sexo oral. Adoro mulheres de cabelo curto. Adoro o corpo e a pele e a voz das mulheres. Adoro lingeries, meias, pirulitos de morango e trufas. Ontem de madrugada vi cinco filmes do Bergman e de manhã fui até a banca comprar jornal. Adoro andar na rua de manhã cedinho quando não dormi a noite inteira. Anoto todos os meus sonhos. Detesto perfume masculino. Só escuto música eletrônica e jazz e blues. Também gosto de música clássica mas não costumo ouvir, não tenho nenhum Cd de música clássica. Ontem eu roubei um Talento branco e meu coração disparou. Saí do mercado eufórica e feliz. Que mais eu posso dizer? Ah todos os meus ménages foram incompletos, sempre uma das pessoas não desejava uma das outras duas… Uma vez, na casa de um amigo, eu fiquei a fim de uma garota que tinha acabado de conhecer. Era amiga de uma amiga minha. Ela também se interessou por mim. Mas minha amiga era apaixonada por mim e eu não queria ficar com a outra na frente dela. Acabamos ficando as três mas ela não quis foder com a minha amiga e

Ela retira a fita. Liga o notebook. A outra guarda a fita numa caixa e coloca a caixa dentro do armário. Diz: eu trouxe mais uma fita, vamos ouvir agora? Ela responde que agora não, agora ela vai instalar um programa. O gato branco de olhos azuis entra no quarto. Deita na cama sem colcha. Ela acaricia o gato. Estão em silêncio, o som continua vindo da sala, não é mais Bessie Smith, é Billie Holiday. Gonna snob the moon above, seal all my windows up with tin, so the love bug can't get in, I'm gonna park my romance right alone the curb, hang a sign upon my heart: "please don't disturb”, and if I never fall in love again, that's soon enough for me, I'm gonna lock my heart and throw away the key… Cada uma bebe o seu Toddynho. A outra pega no sono e eu toco a campainha. Atravessei a mesma rua de sempre e toquei a campainha da casa de paredes vermelhas. Ninguém respondeu mas sei que estavam ouvindo a minha fita. A minha voz. Toco de novo a campainha. Quero a minha voz gravada de volta. Não atendem. Eu atravesso mais uma vez a mesma rua de sempre, desço a ladeira, já é manhã. Eu compro um jornal e me prometo voltar na noite seguinte, antes de meia noite. Vejo uma mariposa de asas brancas. Mas eu nunca consigo voltar antes da meia noite. Nunca entrei na sala sem móveis. Adivinho as duas todas as noites. E espero a noite seguinte.

Je t’inventerai

Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
(da música Ne me quitte pas)

Liz Christine