A corça
O gato
Olharam-se
E viram
A compreensão harmoniosa
Que sustenta o silêncio das horas.
Vejo
Compreendo
E respondo à minha gata
Sim, as nuvens se comunicam.
E nós nos compreendemos
A corça, o gato,
A gata e eu.
Liz Christine
A corça
O gato
Olharam-se
E viram
A compreensão harmoniosa
Que sustenta o silêncio das horas.
Vejo
Compreendo
E respondo à minha gata
Sim, as nuvens se comunicam.
E nós nos compreendemos
A corça, o gato,
A gata e eu.
Liz Christine
O início da madrugada
Talvez seja,
Talvez não seja.
As primeiras horas da noite
Talvez sejam,
Talvez não sejam.
Repletas de.
Preenchidas por.
Descarto uma hipótese
Grudo um sonho (na memória).
E as tardes são vírgulas,
E as manhãs não existem –
Senão para dormir.
As vírgulas sonham
Grudo um sonho
(na memória).
Mas há realidade no sonhar acordada.
E poesia em doces miados.
E releitura nas vírgulas.
Releituras
Repletas de.
Preenchidas por.
Liz Christine
Não importa o que as pessoas falem. Não importa o que eu mesma diga. Porque a fala é uma tradução incompleta ainda. Quase sempre. Alguns traduzem melhor mas podem carecer de sinceridade. Não confio na fala. Não confio nas vozes. Então escreva poemas. Que provavelmente quase ninguém lerá. Porque quase ninguém se interessa por poemas de poetas ou poetisas desconhecidos. Só importa o que a mídia fala. Ou os inúmeros vídeos. Mas não confio na fala. Não confio nas vozes. Confio em miados. Confio nos gatos.
Liz Christine