domingo, 6 de novembro de 2022

A floresta encantada


 

O urso era um bom musicista e passeava calmo pela floresta encantada. O sonho e a névoa encobriam um pouco o céu noturno mas ainda assim as estrelas cantarolavam – e cantarolavam sempre aquelas canções (desconhecidas por humanos) que contavam sobre as pérolas e turquesas que a Lua havia escondido embaixo do travesseirinho da gata que havia conhecido Sócrates (o gato). E a gata havia decifrado todos os caminhos e toda a névoa que envolvia todos os caminhos daquela floresta encantada onde o urso musicista e calmo passeava. Mas a gata não vivia naquela floresta encantada. Vivia em um apartamento mas, ainda assim, conhecia as flores e as fadas e todas aquelas canções (desconhecidas por humanos) que contavam sobre as pérolas e turquesas que a Lua havia escondido embaixo do travesseirinho onde ela mesma (a gata) se aconchegava para cochilar ou sonhar ou dormir profundamente. E a gata gostava da Lua. E a olhava à distância, aconchegada e tranquila em seu travesseirinho que era um presente da humana que dela cuidava.

 

Liz Christine

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

A lua sorri quieta


 

Os sonhos mais intensos e os afetos mais profundos, foi isso o que o gato guardou naquela caixa. Os olhos mais encantadores e frases recortadas, os trechos aparentemente incoerentes do percurso. Aparentemente mas não em realidade, e de todo compreendida, é a poesia mergulhada em mel com limão e recortada de uma página que o gato guardou na memória e me trouxe de presente junto com um perfume e a caixa que ele não quer que eu veja. A caixa onde o gato guarda os sonhos mais intensos e os afetos mais profundos. E a minha gata tão dócil me chama e me mostra duas páginas. É quase de noite. A lua sorri quieta.

 

Liz Christine

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Passeios vespertinos


 

Uma rã de azul translúcido e uma borboleta verde acordaram a gata branca com algumas manchas pretas que sonhava com a gata persa que via um gato da raça maine coon que conhecia o Sócrates e lia poemas – e então o vento que passava me disse que a rã era de um azul tão translúcido e que a borboleta verde voltaria durante aqueles passeios vespertinos, naqueles dias em que um céu tão azul e parcialmente cor-de-rosa é tão agradável de se olhar. E então o vento, o vento que passava e retornava, o vento que voltava e envolvia passeios vespertinos me mostrou uma foto, e a foto era um poema, e falei com Sócrates, e vi a borboleta verde, e ouvi algumas palavras, e folheei um livro, o livro que estava escrito no céu mais cor-de-rosa que azul.

 

Liz Christine