quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Esmeralda

 


Bela Adormecida acordou e voltou a dormir. Ela preferia ainda sonhar com a fada que se chamava Esmeralda. Bela Adormecida era poetisa e também nefelibata. A fada Esmeralda era um sonho recorrente, antes mais realidade que memória e agora mais memória idealizada que realidade. Bela Adormecida não reconhecia mais a realidade e continuava sonhando e sonhando. Dormia, acordava e dormia. Tomava banhos longos e aquecidos e voltava a dormir. Bebia café e voltava a dormir. Lia e brincava com os gatos e bichos e voltava a dormir. E dormia sempre e muito. E quando estava acordada não sabíamos se estava acordada ou dormindo. Às vezes falava pouco. Às vezes falava demais. De qualquer forma, falando pouco ou muito, não sei se as palavras eram plenamente compreendidas ou levemente distorcidas. Bela Adormecida queria continuar dormindo porque só em sonhos via a fada Esmeralda. Então era essa a real realidade. Mas a fada Esmeralda realmente existia. Eu a vi comprando tabaco ontem. Falei muito vagamente com ela e me retirei. Os diálogos confusos são difíceis de se transcrever. Pensei em escrever um poema. Mas prefiro deixar que as reticências me expliquem o real significado (...).

 

Liz Christine

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Mel de laranjeira

 


A bicharada cantarolava alegremente e o vento brincava com as folhas das árvores enquanto o café com conhaque era degustado e a gata ronronava cochichando com a coelha que era sua grande e estimada amiga e companheira de diagnóstico. A bicharada estava diagnosticada e pouco se importavam se o vento gritava ou não gritava e as folhas das árvores também brincavam com o vento e com as abelhas que nos traziam o mais puro mel de laranjeira para adoçar os sonhos e inspirar as músicas futuras ou eternas ou presentes ou jamais esquecidas.

 

Liz Christine

sábado, 2 de outubro de 2021

As nuvens que se calam

 


A música me faz chorar às vezes

 

    Buscando um texto

 

Quando eu lembro da gata que sorria com os olhos e chorava com os filmes.

 

Quando eu lembro da gata que não vê mais filmes e lê e relê (assim como Sócrates lê e relê).

 

Ela ainda fala comigo, eu a vi ontem e hoje olhando a Lua e sorrindo e me contando uma estória totalmente inventada e parcialmente vivida dentro das músicas que ouvimos juntas.

 

E ela disse que sim, pode ser que a Lua concorde também.

 

Então devemos convidar a Lua e ouvir todas as nuvens que se calam.

 

Elas se calam porque a comunicação com os humanos falhou.

 

Elas pedem mais café e mais sonhos.

 

E sorriem também. E se escondem novamente.

 

Achei o texto. Ele estava escrito nas nuvens que se calam e se escondem às vezes. E estava escrito também nos olhos do Sócrates,..,...,.

 

Liz Christine