quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A sweet fairy smoking bored thoughts...


Um lago límpido. Eu nua flanando entre palavras. Um quadro cai da parede. A primeira lambida em um sorvete de frutas vermelhas com creme de castanhas. As palavras ideais são aguardadas pacientemente por uma boneca de porcelana calçando sapatinhos vermelhos com lacinho de fita nos cachos soltos ao redor de um rostinho pensativo. Nua. Seios bem desenhados pela mais pura sorte. Um sorriso que cabe em um abraço forte na medida certa. Não destrua as paredes com trevos de quatro folhas bem delineados sobre nuvens de fumaça perfumada. Aroma doce e suave saindo das orelhas com fones de ouvido. Sim, ainda espero. Quando eu cansar, te aviso (...).

Liz Christine

domingo, 17 de janeiro de 2010

Acaso


Um quarto preenchido por silêncios entrelaçados à lua que sorri em frente ao espelho do armário. É que dentro do armário há um mundo a ser descoberto pelo olhar que se fecha diante das profundidades de um degrau da escada. Um olhar que dá voltas em torno do mar se esconde também às vezes do outro lado do mundo. Um mundo quase fechado que cabe dentro de um sorriso quase desfeito onde dormem estrelas. Difícil explicar o acaso escorregando pelas frestas da porta trancada. À espera de uma idéia frágil que não se completa ao ver silêncios dançando com as paredes. Em um minuto apenas estarei lá fora colhendo maçãs no teu quintal particular onde o mundo se protege do amanhecer. É que ao longo do dia insone há transformações repentinas onde mergulho em teu mar sempre e cada vez mais.

Liz Christine

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quase pleno


Tudo já foi dito (...). Quase nada foi compreendido (...). A essência do absurdo passeia lá longe por entre as árvores – folhas dançando ao vento. E então uma pergunta quebra o silêncio: quantas asas se entrelaçaram em frente ao espelho do banheiro? Quase (...). Um quase desencontro escorregando de um canto ao outro – um quase pleno de respostas em branco (...). Quase sempre um quase semi-preenchido de absurdo lá longe do outro lado da neve. Um quarto pleno de silêncios flutuando no meio de uma xícara. Duas xícaras de café e uma pilha de livros (roteiros publicados) sobre o chão ao lado de uma cama desfeita.

Liz Christine

sábado, 9 de janeiro de 2010

L’amour ça sert à quoi?


Sim, é verdade mesmo (inquietação, inquietação, inquietação). Eu ouvi em algum lugar (ah silêncio, silêncio, onde é possível?). Fora isso, não há nada no lugar aqui (inquietação, silêncio, dúvida). Eu te perguntei sem perguntar e sem esperar resposta alguma (mas sei ainda). Sim, sei (alheia a mim própria). Inquietação, dúvida, resposta (não gosto de perguntas nem de café sem açúcar). Agora vou mudar a direção do meu olhar ou simplesmente procurar ver qualquer coisa ao meu redor (ah maçãs, morangos). Mel? (Vous laisse un goùt de miel,...)

Algo está quase perdendo o meu sentido (...) – (minha busca?)

Não preciso te entender (inquietação, silêncio, inquietação, busca, silêncio). Nem quero dizer mais nada (ah quando é possível?). Andando sobre silêncios, onde reencontro (equilíbrio). Ah eu preciso de um determinado cigarro mais forte e de uma frase incerta mais clara (qual?). E depois, então, vou estirar minhas asinhas à beira da piscina construída entre as árvores onde moram livros poluídos pelos pensamentos insones que me questionam a todo instante sobre como consigo me equilibrar andando entre silêncios (...).

(Lamour ne sexplique pas

Liz Christine

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Mais uma metade (solitária)


Uma lágrima (solitária). Dois comprimidos (mais uma metade). Olhar perdido (o que vejo à minha frente?). Uma coleção (dias desperdiçados). Uma coleção de estrelas brotando de um olhar perdido à procura do mar (qual?) onde mergulho uma lágrima (solitária) que cai de um pedaço de comprimido que se dissolve em uma xícara de café expresso desperdiçado. Um desenho no fundo da xícara (uma silhueta esguia). Alguma coisa qualquer se repete a cada cigarro que acendo (a nudez em uma fotografia). Comprei um par de sapatilhas vermelhas (para deslizar em meio às arvóres). Acordo sobre uma borboleta (qual o nome dela?). Preciso contar uma coisa (preciso mesmo?). O mundo inteiro que encontrei dentro de um livro foi absorvido pelo meu corpo e decidiu morar em um pedaço do meu coração que saiu voando e esbarrou no espelho do banheiro (foi então que tranquei a porta com uma única intenção). Te trazer aqui com uma única intenção (mostrar minha nudez total). É, uma nudez total (sem palavras e sem desejo nenhum além). Eu quero ser fotografada totalmente nua (mais uma vez). Dessa vez sem companhias e sem a grama macia onde me deito todas as madrugadas abraçando uma bonequinha sem poesia (não há mais música nos olhos dela agora – havia mesmo antes?). Eu não sei do meu amor (nem de mim). Não sei nada além de ler janelas (com tela, sempre). Eu deito no chão para absorver a minha própria inconsequência (e também para me sentir mais próxima daquele estágio). Há um certo estágio da tristeza onde os pensamentos começam a se diluir em um silêncio absoluto – é preciso também um certo silêncio para apreciar ou mergulhar em estágios melhores (sim, ouço música em silêncio e absorvo a parte prazerosa da vida também em silêncio mas

Mas?)

Sim, mas há um estágio da tristeza onde (o sentido se perde

).

Em meio ao silêncio que

Liz Christine

sábado, 2 de janeiro de 2010

Um sonho com asas de verdade

Sonhei que eu fazia aulas de balé e tinha asas de verdade. A professora de balé brigava comigo porque eu estava voando dentro da sala de aula e eu me escondia em um canto muito envergonhada da bronca.

Liz Christine

Um sonho com fada de café trufado e neve artificial

Sonhei que estava ensaiando uma peça com um grupo de pessoas e minha mãe me entregava um livro que talvez houvesse inspirado a peça ou tinha alguma relação qualquer com ela. Minha irmã e a fada de café trufado estavam comigo em um dos ensaios onde um ator chegava em mim e dizia assim: “já nos beijamos tantas vezes em cena, vamos nos beijar agora...” – era um ator que realmente me beijava em algumas cenas da peça que estávamos ensaiando. Então eu ia dar uma volta com ele e contava que ficava com mulheres. Não sei se a fada de café trufado tinha escutado alguma coisa de alguém, mas ela ficava realmente com raiva disso e acho que vinha reclamar comigo depois. Algo parecido com uma leve discussão ou cobrança que me causava certa angústia e/ou cansaço mental porque se repetia constantemente. Depois eu voltava ao lugar do ensaio e via neve – eu perguntava se a neve era de verdade ou se era artificial e me respondiam que era neve artificial. Eu estava descalça e sentia um prazer intenso em andar descalça na neve artificial gelada – eu sentia muito prazer mesmo com a sensação da neve artificial tão gelada.

Liz Christine

Um sonho com Grace Kelly e fada lilás


Sonhei que a Grace Kelly procurava um tratamento para deixar de fumar e encontrava um velho que cobrava cento e cinquenta reais para tratar fumantes que desejavam largar o cigarro. Depois de deixar o consultório do velho, a Grace Kelly visitava um cemitério onde ela escrevia o nome dela em um pedaço de papelão e o jogava sobre o túmulo de um homem (que não sei quem era mas era homem). Saindo de lá, a Grace Kelly ia procurar um homem que ela pensava ser rico mas estava pobre (não sei se havia sido rico e perdido todo o dinheiro ou não). Chegando lá, haviam duas pessoas na casa conversando sobre alguém e repetindo toda hora o nome desta pessoa que depois a Grace Kelly descobria se tratar não de um ser humano mas sim de um gatinho (ou gatinha, não sei o sexo) cinza filhote bem pequenino que ela via brincando pela casa. O filhote era realmente uma gracinha adorável. Depois disso, eu aparecia tomando banho em um chuveiro e a fada lilás entrava no banheiro e me olhava e eu sentia muita vontade de agarrá-la mas percebia que ela estava com uma micose horrível no dedão de um dos pés. Eu ficava então com medo porque achava que a micose era contagiosa e apesar desse medo muito intenso no sonho eu acabava dormindo com ela e acordava depois com uma micose no dedão do pé.

Liz Christine