
Barulho de telefone fora do gancho (início de tudo). Duas mulheres falando demais e gesticulando muito (Flor de Chocolate Branco e Café Trufado). Mais uma pessoa falando demais e gesticulando muito (Pato-Duvidoso). Uma língua se desenrolando e se esticando até o infinito mais ou menos como um brinquedinho antigo chamado língua-de-sogra. Então eu com uma aparência infantil (e infinitamente menor que a língua se desenrolando) pulo na língua que se estica até o infinito e ando como se estivesse em uma corda-bamba ou simplesmente como se estivesse brincando de me equilibrar no meio-fio de uma rua. De repente eu caio e caio até o infinito sem parar de cair em um espaço vazio. E então vem um sapo azul voando com asas de anjo e me pega (abraço, colo) e me carrega em seu vôo até uma nuvem em um céu azul de final-de-tarde. Eu fico sentado na nuvem com o sapo azul com suas asas de anjo encantado e aparecem fadas nuas com seios bonitos. E o sapo azul das asas de anjo estica sua língua como se fosse caçar uma mosquinha mirando meus seios (língua de sapo azul nos meus seios). E as fadas nuas, todas elas me beijam no boca (beijos também em meu pescoço e seios e barriga e costas). E então nasce um par de asas em minhas costas (jazz tocando ao fundo). E as estrelas sorriem dançando no céu que continua sendo azul em um final-de-tarde que se espalha no olhar do sapo azul com suas asas de anjo.
Liz Christine
Liz Christine

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