terça-feira, 10 de março de 2009

Deep sea diver


Não sei se te quero. Não sei se pretendo. Mas preciso de cápsulas e comprimidos. Muito café – sabe que tomo café desde os cinco aninhos ou talvez antes? Na casa da minha avó favorita bebia-se muito café à tardinha ou no final da tarde – a outra avó está morta e nem sei se fazia café. E hoje faço eu mesma o café à noite para mim – de manhã eu recebo café na cama do meu amor. Sabe que eu e meu amor brigamos muito? O importante é a química. Sintonia. E a melhor sintonia é a que se encontra em quartos ou banheiros. Sabe que eu não sei muito bem se devo pensar ou não? Em meio a cada sonho eu encontro o rosto dela – e ao final de cada idéia eu encontro uma dúvida. A melhor forma de agir é se deixar verdadeira – mas onde eu encontro a minha verdade senão no escuro ao lado dela? Nenhuma companhia é clara o bastante – e não gosto nem do calor do sol nem de luz artificial que agride os olhos, eu gosto de pontos de luz ou de lâmpadas coloridas com foco direcionado. Eu já acreditei, faz tempo, na transparência dela – mas agora, eu sinto, há sombras e uma certa escuridão em todas as palavras trocadas. Eu preciso de um banheiro. Tu consegue adivinhar quando foi a primeira vez que tirei fotos nua? Foi na casa de uma namorada com minha outra namorada – eu namorava as duas até que uma delas escreveu no meu corpo usando pétalas de rosas vermelhas que me adorava mais que qualquer outra. Eu acreditei e fui cada vez mais. Eu olhava ao meu redor de vez em quando e escapava uns breves instantes mas a sintonia da nossa química amorosa me levava cada vez mais fundo e eu ia mergulhando e acreditando sempre no olhar dela – cada vez mais. Mas eu esqueci de dizer exatamente onde foi a primeira vez que tirei fotos nua – foi no banheiro da casa de uma namorada que eu tive e havia outra namorada minha lá. E quem tirou as fotos foi a menina que algum tempo depois namorou a namorada que eu deixei pela outra. Sabe que nada mais depois desses tempos foi desse jeito? Eu não pensava em duvidar de nada – eu vivia a verdade de cada instante. Agora eu posso de repente não acreditar em nada mais nem em nenhuma pessoa – e não entendo isso muito bem. É que tudo soa duvidoso e eu me sinto perdida. Eu quero aquela – aquela que eu amava sem pensar em consequências e ainda amo sem saber. É que eu não sei ao certo – o quanto eu faria falta ou não faço mais a menor diferença para ela. Sabe que eu não sei também o que tu teria a ver com tudo isso? É que a simples a idéia de perdê-la por tua causa me faz pensar mais uma vez – coisa que eu não fazia muito antes. Fazia nunca. Mas ninguém precisa saber – ninguém precisa saber a cor dos meus pensamentos (mas parece que sabem de alguma forma estranha)... De alguma forma sensorial e de muitas maneiras sonhadas quase sem palavras – imagens flutuando, sabe? – eu sinto que a minha necessidade real é ela. Eu ainda olho ao meu redor mas não há muito mais que eu queira agora – havia ela (sempre houve) e mais alguém que eu havia deixado de pensar por uns tempos (sem nunca deixar de fora totalmente dos meus pensamentos insanos). Mas acho que te quero sim. Só não sei é se pretendo, mas é provável que eu não (pretenda) por muito tempo. Também é bastante provável que eu não queira memórias negativas – entende? É desnecessário dizer.

(texto dedicado à garota de olhos verdes e à minha mais nova atração-passageira)

Liz Christine

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